Vacina é um direito de todos

Vacina é um direito de todos

João Guilherme Sabino Ometto*

06 de dezembro de 2020 | 08h00

João Guilherme Sabino Ometto. FOTO: DIVULGAÇÃO

A participação de reconhecidos institutos brasileiros na testagem de vacinas contra a Covid-19 poderá tornar nosso país um dos que mais rapidamente consigam oferecer essa proteção contra o contágio ao seu povo. Tal conquista, que se deve em muito à qualidade, credibilidade internacional e proatividade de nossas instituições científicas, será fundamental para preservar vidas. Esta é a prioridade, pois o números de mortes já ultrapassaram a 160 mil e a transmissão da doença, embora aparentemente em queda, ainda é muito elevada. A imunização também será importante para se promover a retomada mais segura e em pleno ritmo das atividades econômicas.

Considerando a relevância da questão, uma prioridade absoluta, não cabe sua politização, mesmo no cenário das eleições municipais, e tampouco sua judicialização em torno da polêmica se o Poder Público pode ou não obrigar as pessoas a se imunizarem. Na condição de empresário e, principalmente, cidadão, defendo e entendo a vacinação em massa contra uma epidemia como um direito de todos os indivíduos e um dever do Estado, além de meta consensual e não conflitante dos governantes e poderes constituídos.

Assim, confirmadas a segurança e eficácia da vacina chinesa desenvolvida em parceria pelo Instituto Butantan, epicentro das discussões políticas sobre o tema, bem como das demais em testes em nosso país, seria recomendável, com o aval das autoridades de saúde e dos médicos, a aplicação no maior número possível de pessoas. Segundo os especialistas, essa é a única maneira efetiva de se alcançar a chamada imunização de rebanho, que expressaria uma grande vitória da ciência contra uma das mais graves pandemias de todos os tempos.

A vida em primeiro lugar, a recuperação dos milhões de postos de trabalho perdidos, a reabertura plena das fábricas e escritórios, a retomada do turismo e do fluxo normal de todos os setores e do comércio exterior significam a concretização do sonho de todos nós quando, no início desde ano, nos deparamos com o pesadelo do novo coronavírus. Trancados em casa, isolados de parentes e amigos, sofrendo perdas de entes queridos e assistindo ao micro-organismo destroçar a economia, tudo o que queríamos e pedíamos era uma vacina, à época uma possibilidade incerta e remota.

A genialidade humana possibilitou o desenvolvimento de imunizantes em tempo recorde. Se forem mesmo eficazes, como tudo indica, vivenciaremos um momento grandioso da história, análogo ao fim das grandes guerras. É preciso entender e conferir a dimensão exata ao significado da conquista que a civilização está prestes a concretizar. É algo muito acima de interesses pessoais, disputas políticas, vaidades, eleições e partidos.

Assim, que todos os brasileiros possam exercer o direito de cidadania de ser imunizados contra a Covid-19 e que o Estado cumpra seu dever de proteger a saúde da população. Os que não quiserem tomar a vacina precisam estar cientes das consequências e riscos de sua decisão. Obviamente, quem estiver imune terá mais segurança e facilidades para sair, trabalhar, procurar emprego, ser contratado e interagir profissional e socialmente. A questão não é política ou jurídica, mas sim inerente à consciência de cada um.

*João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP), empresário e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA)

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