Vaccari pega 10 anos de prisão por caixa dois na campanha de Haddad

Vaccari pega 10 anos de prisão por caixa dois na campanha de Haddad

Juiz da 1ª Zona Eleitoral, Francisco Shintate, sentenciou ex-tesoureiro do PT por supostos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

Luiz Vassallo, Pedro Prata e Fausto Macedo

20 de agosto de 2019 | 18h20

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi condenado a 10 anos de prisão em regime fechado pelo caixa dois à campanha do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), em 2012. A ele, foram imputados os crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Na mesma sentença, o ex-chefe do Executivo municipal também foi condenado, a 4 anos e 6 meses em semiaberto.

A investigação decorre da Operação Cifra oculta, deflagrada em 2017, que mirou o suposto repasse à campanha. O petista já está condenado em outros processos, na Operação Lava Jato, e cumpre pena.

Segundo o juiz da 1ª Zona Eleitoral, Francisco Shintate, ‘João Vaccari Neto não participou diretamente da campanha a Prefeito do réu Haddad, mas, no ano seguinte, intermediou o pagamento de valores oriundos de operações ilícitas de corrupção e improbidade do governo federal em licitações e contratos administrativos’

O magistrado aponta que os repasses teriam sido pagos ‘por doleiro em operações simuladas, o que caracteriza crime de lavagem ou ocultação de bens diretos e valores, bem como demonstrada a associação de mais de 4 pessoas de caráter permanente e que visava a prática de crimes’.

“A culpabilidade (grau de reprovabilidade da conduta), é elevada, pois o autor tinha papel relevante por ser o tesoureiro nacional, pessoa que autorizava as transferências lícitas e ilícitas, em uma sistemática de atuação de uma organização criminosa em que vários núcleos autônomos (empresarial, político, administrativo, financeiro) agiam de modo permanente e protraído no tempo, em que o pagamento de vantagens e a contrapartida não eram sincrônicas, mas diacrônicas”, anota.

“Assim, após o processo eleitoral, o réu, no ano seguinte, ocultou a origem ilícita dos valores pagos a título de propina para corrupção em contratos da administração federal, ao determinar que o empresário da UTC autorizasse o doleiro do núcleo financeiro a pagar valores aos réus Ronaldo e Francisco Carlos, com base em notas fiscais fictícias, em operação de lavagem de dinheiro”, conclui o juiz.

 

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