Vaccari nega propinas e repudia delatores

Vaccari nega propinas e repudia delatores

Tesoureiro do PT, por meio de seu advogado, afirma que não tem envolvimento com esquema de propinas

Redação

16 de março de 2015 | 19h01

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, negou nesta segunda feira, 16, participação em esquema de recebimento de propinas para seu partido. Em nota, o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende Vaccari, destacou que o tesoureiro “repudia as referências feitas por delatores a seu respeito, pois as mesmas não correspondem à verdade”.

Foto: Sérgio Castro/Estadão

Vaccari deixa PF após prestar depoimento no início de fevereiro. Foto: Sérgio Castro/Estadão

Vaccari foi citado por vários delatores da Operação Lava Jato, entre eles Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobrás. Barusco foi braço direito de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera e fez delação premiada, na qual afirma que Vaccari chegou a arrecadar “até US$ 200 milhões” em propinas para o PT. Nesta segunda feira, 16, o Ministério Público Federal denunciou Vaccari por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Luiz Flávio Borges D’Urso disse que “causa estranheza o fato de que o sr. Vaccari não ocupava o cargo de tesoureiro do PT no período citado pelos procuradores (na denúncia levada à Justiça Federal)”.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DO ADVOGADO LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO EM DEFESA DE JOÃO VACCARI NETO

“O sr. Vaccari repudia as referências feitas por delatores a seu respeito, pois as mesmas não correspondem à verdade. A defesa do sr. João Vaccari Neto manifesta-se diante das informações veiculadas nesta data, as quais noticiam a apresentação de denúncia contra o sr. Vaccari, secretário de Finanças do PT, além de outras 26 pessoas, na 10ª fase da operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira.

Embora ainda não se tenha ciência dos termos da denúncia, torna-se importante reiterar que o sr. Vaccari não participou de nenhum esquema para recebimento de propina ou de recursos de origem ilegal destinados ao PT.

Ressaltamos que causa estranheza o fato de que o sr. Vaccari não ocupava o cargo de tesoureiro do PT no período citado pelos procuradores, durante entrevista no dia de hoje, uma vez que ele assumiu essa posição apenas em fevereiro de 2010.

O sr. Vaccari repudia as referências feitas por delatores a seu respeito, pois as mesmas não correspondem à verdade. Ele não recebeu ou solicitou qualquer contribuição de origem ilícita destinada ao PT, pois as doações solicitadas pelo sr. Vaccari foram realizadas por meio de depósitos bancários, com toda a transparência e com a devida prestação de contas às autoridades competentes.

O sr. Vaccari permanece à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários, como sempre esteve desde o início dessa investigação.

São Paulo, 16 de março de 2015

Prof. Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso”