Vaccarezza pediu R$ 100 milhões em propinas, diz PF

Vaccarezza pediu R$ 100 milhões em propinas, diz PF

Preso temporariamente, o ex-deputado é alvo de investigação por supostas vantagens indevidas de US$ 500 mil oriundas de contrato para fornecimento de asfalto à Petrobrás

Julia Affonso, Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

22 Agosto 2017 | 14h59

Cândido Vaccarezza. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Em relatório de buscas e apreensões no âmbito da Operação Abate, 44ª fase da Lava Jato, o delegado Filipe Pace, da Polícia Federal, concluiu que ‘existem robustos elementos probatórios de que a atuação criminosa’ do ex-líder dos governos Lula e Dilma, Cândido Vaccarezza, ‘na Petrobrás não se limitou ao seu suporte político para a contratação da empresa Sargeant Marine pela estatal’. O ex-deputado foi preso temporariamente por suposta propina de US$ 500 mil oriunda do contrato entre a empresa e a petrolífera para o fornecimento de asfalto.

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O delegado entende que ‘houve, por parte do grupo encabeçado’ pelo lobista Jorge Luz, tentativa de envolver Cândido Elpídio de Souza Vaccarezza para o sucesso de ao menos três oportunidades de negócios na Petrobrás. Somente em uma das supostas negociatas, as investigações dão conta de uma solicitação de R$ 100 milhões de Vaccarezza enquanto arrecadador do Partido dos Trabalhadores.

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“Vale dizer, ainda, que, na constituição do assim denominado grupo “Brasil Trade”, havia registro de reunião mantida, em março de 2010, entre Jorge Luz e Cândido Vaccarezza, no qual o parlamentar teria solicitado apoio financeiro – propina – na ordem de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais) a partir de negócios que passariam a ser tratados pelo grupo e cujos repasses provavelmente operacionalizados pela empresa offshore de Carlos Henrique Nogueira Herz e Bo Hans Vilhelm Ljungberg”, afirma Pacce

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A Polícia Federal sustenta que, em planilhas de negócios e atas de reunião, Vaccarezza recebia o codinome V2.

Em um dos documentos, datado de 2010, consta que ‘está sendo apresentada reunião do dia 22/03/10 ao Diretor uma solicitação do V2 para mensalmente apresentar-se operações da Trade, de forma a viabilizar-se apoio da ordem de R$ 100 milhões. para início destas operações utilizaremos a empresa Econ Trading’.

“A partir desta indistinta atuação é que se verificou que a atuação delitiva de Cândido é anterior e, portanto, bem mais ampla, do que a que já havia sido identificada na presenta investigação e que se focou particularmente nos crimes envolvendo a contratação a partir de metade de 2010 da Sargent Marine pela Petrobrás para fornecimento de asfalto”, sustenta a PF.

Ao mandar prender o ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara, Cândido Vaccarezza, o juiz federal Sérgio Moro já havia ressaltado que o ex-deputado aparece com a alcunha de ‘”parceiro” em cinco “projetos”’ na Petrobrás que constam  em planilhas dos operadores de propinas Jorge e Bruno Luz. Vaccarezza foi preso temporariamente nesta sexta-feira, 19, investigado por supostas propinas de US$ 500 mil oriundas de contratos entre a Petrobrás e a empresa Sangeant Marine.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARCELLUS FERREIRA PINTO, QUE DEFENDE CÂNDIDO VACCAREZZA

“A defesa de Cândido Vaccarezza, por meio do advogado Marcellus Ferreira Pinto, esclarece, em nota, que: Cândido Vaccarezza nunca intermediou qualquer tipo de negociação entre empresas privadas e a Petrobrás. A prisão foi decretada com base em delações contraditórias, algumas já retificadas pelos próprios delatores. A busca e apreensão excedeu os limites da decisão judicial, confiscando valores declarados no imposto de renda e objetos pertencentes a terceiros sem vínculo com a investigação. A defesa se manifestará nos autos e espera que a prisão seja revogada e as demais ilegalidades corrigidas!”

COM A PALAVRA, O PT

“Vaccarezza foi militante e parlamentar do PT, saiu do Partido por divergências políticas, um direito de qualquer pessoa.
O partido não tem informações sobre esse processo. Esperamos que ele tenha oportunidade de se defender e esclarecer as acusações”.