Vaccarezza muda ‘Lista Vaquinha 1’ para ‘Um projeto para o Brasil’

Vaccarezza muda ‘Lista Vaquinha 1’ para ‘Um projeto para o Brasil’

Depois que o Estado publicou estratégia de arrecadação de valores para sua campanha à Câmara, embora devendo fiança de R$ 1,5 mi à Lava Jato, ex-deputado altera nome de grupo que havia criado

Julia Affonso

30 Julho 2018 | 13h52

Foto: Reprodução

O ex-deputado Cândido Vaccarezza (Avante) trocou, no fim de semana, o nome do grupo que havia criado no WhatsApp para arrecadar valores para sua campanha a deputado federal. O ‘Lista Vaquinha 1’ virou ‘Um projeto para o Brasil’.

“Amigos. Peço desculpas. Meu objetivo era criar uma lista de transmissão e criei um grupo. Portanto acho que as pessoas que não querem fazer parte do grupo do WhatsApp devem sair. Vou aproveitar e fazer deste grupo um espaço para discutir um Projeto para o Brasil”, afirmou o ex-deputado.

A mudança ocorreu depois que o Estado revelou o ‘Lista Vaquinha 1’, estratégia de Vaccarezza para retornar à Câmara dos Deputados, embora devedor de uma fiança de R$ 1,5 milhão para a Lava Jato – valor imposto a ele pelo juiz Sérgio Moro em troca da liberdade.

Foto: Reprodução

Vaccarezza é investigado pela Operação Lava Jato por supostas propinas de US$ 500 mil em contratos para fornecimento de asfalto à Petrobrás. Ao deixar a prisão, em agosto do ano passado, o ex-deputado foi proibido por Moro de exercer cargo ou função na administração pública direta ou indireta.

O magistrado da Lava Jato estipulou, na ocasião, a fiança de R$ 1,5 milhão. Até agora, Vaccarezza não depositou o montante.

Nesta segunda-feira, 30, o juiz intimou Vaccarezza e o Ministério Público Federal para manifestações. O juiz afirmou que as informações sobre a ‘vaquinha’ de Vaccarezza ‘podem ser relevantes para decidir a questão pendente’.

Pelo WhatsApp, o ex-deputado enviou dois vídeos. Em um deles, Vaccarezza pede doações para sua campanha.

“Já começou o período eleitoral, nós estamos agora na fase da pré-campanha. Você me conhece, eu fui deputado federal por dois mandatos, deputado estadual por dois mandatos e tenho a honra de ter contribuído com minha ação parlamentar para melhorar a qualidade de vida da população, para melhorar a qualidade do legislativo no Brasil. Agora sou pré-candidato a deputado federal. Você me conhece, estou pedindo a sua contribuição, participe da vaquinha virtual”, pede Vaccarezza, em vídeo enviado pelo WhatsApp nesta sexta-feira, 27.

No site indicado pelo ex-deputado, é possível contribuir com os valores de R$ 30, R$ 50, R$ 100, R$ 300, R$ 500, R$ 700, R$ 950 e R$ 1,064 mil.

“Estou ciente de que, caso o pré-candidato desistir da sua pretensão ou não solicitar o registro de candidatura, até o dia 15 de agosto de 2018, o valor doado será devolvido em até 30 (trinta) dias a contar do dia 15 de agosto de 2018, pela APOIABR, de acordo com o Termo de Uso, em minha conta bancária informada no cadastro no momento da doação, descontado a taxa de transferência de valores (TEV), taxa de administração de 12% sobre o valor doado, além dos impostos. Caso não identificado os dados bancários o valor doado será depositado no Tesouro Nacional. (Resolução-TSE nº 23.553, art. 23, § 5º)”, informa o site.

Por meio do aplicativo, Vaccarezza também divulgou um vídeo com cerca de dois minutos. As imagens foram publicadas inicialmente em sua rede social.

“Nos últimos 3 dias, fiz diversas reuniões com lideranças da cidade de São Paulo. E, ontem à noite, realizamos uma grande convenção do nosso partido”, informa Vaccarezza. “Foi uma grande festa e uma busca de soluções para São Paulo e para o Brasil.”

Em um trecho de seu discurso, o ex-deputado afirma que ‘nossa chapa vai eleger uma boa bancada de deputados federais, vai eleger uma boa bancada de deputados estaduais’.

“Temos uma direção constituída que sabe onde quer chegar. Vou lembrar um poeta brasileiro: ‘quem sabe onde quer chegar, procura certo o caminho e o jeito de caminhar’. Nós acertamos ao fazer nossa chapa, nós acertamos ao criar o Avante”, disse Vaccarezza.

“Nós acertamos em não procurar a ilusão de salvadores da pátria. Não tem um problema no Brasil que seja problema para se resolver com salvador. O jeito é fulano ou o jeito é beltrano. Nós temos problemas de médio prazo que vamos resolver com partido político como o nosso.”

Vaccarezza é investigado por supostamente ter colocado ‘seu mandato eletivo à venda para intermediar contratos com a Petrobrás ou com outras entidades da Administração Pública direta ou indireta’.

Após cinco dias preso, Vaccarezza foi solto pelo juiz Moro, que considerou problemas de saúde alegados pelo ex-deputado e impôs a ele medidas cautelares.

Em 22 de agosto de 2017, Moro determinou a ‘proibição do exercício de cargo ou função pública na Administração Pública direta ou indireta, o compromisso de comparecimento a todos os atos do processo, a proibição de deixar o país, com a entrega do passaporte a este Juízo em 48 horas, a proibição de contatos com os demais investigados, salvo familiares, e a proibição de mudança de endereço sem autorização do Juízo’.

Em março deste ano, o Ministério Público Federal requereu ao magistrado que estipulasse prazo de cinco dias para que o ex-deputado quitasse o montante.

A força-tarefa da Operação Lava Jato solicitou que, caso não houvesse pagamento, Vaccarezza fosse colocado em prisão domiciliar ‘considerando o estado de saúde do investigado’.

Até aqui, o processo da Lava Jato não registrou o pagamento da fiança.

Quando foi solto por Moro, o ex-deputado afirmou que havia pedido afastamento do cargo de presidente estadual do Avante.

“A defesa de Cândido Vaccarezza informa, por meio de nota, que ele apresentou, nesta data, ao presidente do Avante, seu pedido de afastamento da função de presidente do Diretório Estadual do partido em São Paulo. A decisão permitirá que ele se dedique exclusivamente ao seu tratamento de saúde e a sua defesa”, informou a defesa na época.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem fez contato com a defesa de Cândido Vaccarezza. O espaço está aberto para manifestação.