Urgente

Urgente

João Rogério Alves Filho*

21 de maio de 2020 | 09h00

João Rogério Alves Filho. FOTO: DIVULGAÇÃO

Completamos por esses dias o 2º mês de início do isolamento social em nosso País, uma vez que tais medidas determinadas pelos Estados foram anunciadas com poucos dias de diferença.

Até o presente momento, nenhuma medida anticíclica foi implementada pelo governo federal no sentido de revertermos o quadro que, segundo nosso Ministro da Economia, traz forte ameaça de morte aos CNPJs.

Sim, os CNPJs estão morrendo, e morrerão às centenas de milhares enquanto não forem anunciadas medidas que se mostrem com horizonte além de dois ou três meses de medidas pontuais, ao contrário do real impulsionamento da atividade econômica que se faz urgentemente necessário. Os dados publicados mostram que o retumbante anúncio do financiamento das folhas de pagamento em montante de R$ 40 bilhões, só conseguiu efetivamente chegar às empresas, pelas razões que todos conhecemos, em mísero 1% desse valor disponibilizado. Tampouco o diferimento por um trimestre das obrigações tributárias terá sido de qualquer alívio, pois o final do 3º mês já será em 30 dias e a situação das empresas, até agora, só fez se agravar.

Medidas com visão de curto prazo não serão suficientes para a reversão do gravíssimo quadro que enfrentamos. Apenas com o verdadeiro estímulo à retomada da atividade econômica, quer através da Construção Civil, segmento de alta empregabilidade e cadeia de suprimentos totalmente nacional, quer através de nossos segmentos industrial e agrícola, dos quais passaremos a depender cada vez mais a partir da revisão da cadeia de suprimentos mundial; conseguiremos efetivamente reverter o corrosivo processo trazido pelo contexto internacional.

Há que se entender definitivamente que o cenário mudou e que o planeta já está enfrentando a realidade de uma depressão econômica e que a proatividade de seus líderes diante do enfrentamento a essa realidade é a única forma de diminuir os danos já dados para a atividade econômica mundial. Só a partir dessa constatação é que poderemos iniciar um enfrentamento real ao desafio que nos é evidente. Precisamos de mais, e há muito o que pode ser feito.

Dessa forma, para a inépcia até o momento observada, identificamos duas possibilidades, quais sejam: a primeira é a de ser tal inoperância um negacionismo à extensão e profundidade dos danos, ou a segunda, a incapacidade do atual governo em estabelecer uma agenda de enfrentamento aos terríveis efeitos da depressão econômica com que já nos deparamos. Para ambas a solução é uma só, e urgente!

*João Rogério Alves Filho é economista e sócio-diretor da PPK Consultoria

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.