Uma xícara de café, séculos de história

Uma xícara de café, séculos de história

Paulo Alexandre Barbosa*

04 de julho de 2019 | 15h34

Foto: Isabela Carrari

O café, segunda bebida mais consumida no país (só fica atrás da água) faz parte da rotina do brasileiro. Mas o que muita gente não sabe que segurar uma xícara de café é ter parte da nossa história nas mãos.

A bebida torna seu apreciador parte de uma cadeia de produção e acontecimentos que atravessaram séculos. Afinal, mais de 1.400 anos separam o pastor etíope Kaldi, o primeiro a constatar mais energia nas ovelhas que consumiam frutos de um arbusto, da experiência sensorial hoje oferecida.

Palavra originária do árabe ‘qahwa’, que significa vinho, o café foi surrupiado por invasores, começou a ser cultivado no Iêmen nos anos 500 e torrado no século 11, chegando à Europa 300 anos depois.

E o grão sempre esteve atrelado à vida das pessoas. Em 1475, na Turquia, havia até uma lei que permitia à mulher pedir o divórcio caso o marido não lhe provesse de uma quantidade diária de café.

As sementes cruzaram continentes enfurnadas em bolsos e porões de navios. Aliás, foi na roupa de Francisco de Melo Palheta que Claude D’Orvilliers, esposa do governador da Guiana Francesa, teria escondido sementes, em um arroubo de paixão para atender a pedidos do militar luso-brasileiro. E delas originaram as primeiras plantações no Pará, em 1727.

Também é impossível desassociar a história do café da trajetória paulista. Ainda que tenha chegado ao Estado de São Paulo no final do século 18, o grão também conhecido como ‘ouro verde’ proporcionou um salto nos índices econômicos, principalmente após o advento da ferrovia, em 1867, quando o escoamento da produção cafeeira pelo Porto de Santos praticamente triplicou.

Desde o século 19, Santos é a principal via de escoamento da safra cafeeira. Sua localização foi decisiva para a construção, em 1892, do primeiro porto organizado do país, ainda hoje o maior e mais importante da América Latina.

Foi para escoar o café produzido no Interior que a cidade interligou-se, em 1867, à primeira ferrovia do Estado – a São Paulo Railway – e ganhou a Estação do Valongo, um de seus pontos turísticos.

Santos segue tendo o café em seu DNA. O cais santista foi responsável, em 2018, pelo escoamento de 80,8% da produção brasileira – 35,2 milhões de sacas, recorde dos últimos dois anos.

O ‘ouro verde’ foi e é tão importante, que suas folhagens perduram no brasão nacional, no brasão paulista, no brasão paulistano, no brasão santista.

As riquezas produzidas pelo grão estão imortalizadas nas ruas, em fachadas de edifícios públicos, nas instituições históricas.

Entre 1870 a 1930, Santos ganhou um de seus símbolos: a Bolsa Oficial, palacete que abriga o Museu do Café desde 1998. Isso sem falar no surgimento de um comércio ligado ao setor, que ainda está na ativa na Cidade.

Para celebrar toda essa história e a bebida que faz parte da vida dos brasileiros, há cinco anos acontece o Festival Santos Café.

A edição 2019 será realizada entre os dias 5 e 9 de julho, no Centro Histórico santista, que vai abrigar mais de 80 atrações gratuitas para toda a família.

Todas as atividades são baseadas no cultivo, colheita, seleção de grãos, torra e preparo, que elevaram a bebida a um novo patamar.

O café invadiu a gastronomia, expandiu-se para outros mercados, como a estética e a economia criativa. É tema de cursos de baristas e especialistas.

Essas novas nuances estarão ao alcance de todos no evento.

Falando nisso, seja gourmet ou tradicional, você já bebeu sua xícara de café hoje?

Esperamos a presença de todos no Festival Santos Café.

*Paulo Alexandre Barbosa é prefeito de Santos-SP

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