‘Uma resposta àqueles que celebraram com champanhe’, diz procurador sobre retirada do caso de Moro

‘Uma resposta àqueles que celebraram com champanhe’, diz procurador sobre retirada do caso de Moro

Andrey Borges de Mendonça, da força-tarefa da Operação Custo Brasil, que prendeu ex-ministro de Lula e Dilma, avisa que investigações 'vão continuar onde quer que estejam'

Fausto Macedo, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

23 de junho de 2016 | 17h33

Procurador da República Andrey Borges de Mendonça. Foto: Felipe Rau/Estadão

Procurador da República Andrey Borges de Mendonça. Foto: Felipe Rau/Estadão

O procurador da República Andrey Borges de Mendonça afirmou nesta quinta-feira, 23, que a Operação Custo Brasil é ‘uma resposta àqueles que celebraram com champanhe’ a retirada dessa fatia da Lava Jato das mãos do juiz federal Sérgio Moro.

Custo Brasil prendeu o ex-ministro do Planejamento e de Comunicações Paulo Bernardo (governos Lula e Dilma) e mais dez investigados por suspeita de ligação com esquema de propinas no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, entre 2010 e 2015.

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Paulo Bernardo foi preso por ordem da Justiça Federal em São Paulo, que acolheu pedido do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, protagonistas da Custo Brasil.

O caso envolvendo Bernardo e sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR), foi inicialmente captado pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República em Curitiba, base da Operação Lava Jato.

Com a citação ao nome da senadora – suposta beneficiária de propinas para sua campanha eleitoral em 2010 -, o caso foi deslocado das mãos do juiz federal Sérgio Moro, símbolo da Lava Jato, para o Supremo Tribunal Federal, instância máxima que detém competência para processar parlamentares com foro privilegiado.

Em 2015, o STF dividiu essa fase da Lava Jato. Tecnicamente, a Corte promoveu o declínio da investigação, tirando-a de Moro. O Supremo ficou com a guarda da parte envolvendo Gleisi e remeteu para a Justiça Federal em São Paulo a fatia sobre a Consist, empresa contratada por Paulo Bernardo para administrar os empréstimos consignados a milhares de servidores públicos – como ex-ministro, o marido da petista não tem foro especial perante a Corte máxima.

Nessa ocasião, quando o Supremo tirou de Moro a apuração sobre a Consist e Paulo Bernardo caiu no radar dos investigadores a informação que investigados combinaram uma comemoração regada à champanhe.

“A Custo Brasil é a resposta àqueles que celebraram com champanhe o declínio do caso de Curitiba”, disse o procurador Andrey. “Para mostrar que, na verdade, não é só Curitiba que faz essa investigação, o que faz muito bem.”

O procurador mandou um recado direto a quem se envolveu em esquema de propinas. “Isso é uma meta das instituições aqui presentes (Procuradoria, PF e Receita), uma meta de perseguir a corrupção porque ela é um inimigo invisível de toda a sociedade.”

Andrey Borges enfatizou. “O que nos une, o que nos motiva realmente é que aqueles que celebram que conseguiram retirar o caso do juiz Sérgio Moro e da Operação Lava Jato hoje foi uma demonstração de que, na verdade, as investigações vão continuar onde quer que estejam.”

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