Uma em cada quatro cidades tem lixões a céu aberto, aponta Tribunal de Contas do Estado

Uma em cada quatro cidades tem lixões a céu aberto, aponta Tribunal de Contas do Estado

Fiscalização em 163 municípios paulistas encontrou descarte irregular de materiais que oferecem riscos à saúde e outras violações à Política Nacional de Resíduos Sólidos; somente 51,54% dos administradores implantaram um plano de gestão integrada

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

01 de novembro de 2016 | 11h36

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Uma em cada quatro cidades paulistas tem lixões a céu aberto, aponta fiscalização do Tribunal de Contas do Estado.

 

A inspeção inédita constatou que dezenas de prefeituras ‘descumprem amplamente’ a legislação que regula o tratamento de resíduos sólidos, mantendo lixões a céu aberto e ignorando normas específicas para gestão dos rejeitos dos setores da construção civil, da saúde e agropecuária.

 

O Tribunal fiscalizou 163 municípios ao longo do mês de setembro.

 

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A fiscalização observou 43 itens relacionados à Lei 12.305, de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e outras regras do setor.

 

A Corte de Contas aponta que somente 51,54% dos municípios avaliados implantaram um plano de gestão integrada dos resíduos sólidos e que 19,63% nem sequer iniciaram sua elaboração.Adamantina2

Quase um quarto dos municípios (23,31%) ainda acumula os resíduos sólidos orgânicos e inorgânicos a céu aberto nos lixões –proibidos por lei desde 1981–, que atraem catadores expostos à contaminação, aves de rapina e outros animais, destaca nota divulgada pelo Tribunal nesta terça-feira, 1.

 

Segundo o TCE, mesmo entre os municípios que levam os resíduos para aterros, poucos fazem algum tipo de tratamento no material antes de descartá-lo, como reciclagem (11,73%),reutilização (1,23%) ou compostagem (2,47%).

 

Além disso, 13,58% dos aterros não possuem licença de operação da CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

 

 

A fiscalização apontou ainda que não há qualquer tipo de coleta seletiva em 36,20% das cidades avaliadas. Nas demais, a coleta seletiva atende uma parte do serviço de recolhimento do lixo. Apenas 3,11% das prefeituras conseguem selecionar entre 75% e 100% do material.

 

Somente 62,58% dos municípios gerenciam o material descartado pelos serviços de saúde e 71,17% não dispõem de área específica para armazenamento.

 

Na parte de resíduos da construção civil –que demandam gestão especial por conterem substâncias perigosas à saúde, como amianto -, 58,28% dos municípios não possuem plano para coleta, transporte e destinação final.

 

Em relação aos empreendimentos do setor agropecuário e de florestas plantadas, que são obrigados a elaborar plano específico, 88,96% das prefeituras não fiscalizam sua execução e 85,89%

não preveem qualquer punição para aqueles que o descumprem.

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