Um ser humano, por favor!

Um ser humano, por favor!

Fernando Goldsztein*

08 de abril de 2022 | 06h00

Fernando Goldsztein. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Já antecipo que sou a favor das novas tecnologias. Não chego a ser um “geek”, como chamam aqui nos EUA os que são obcecados pelo tema. Porém, sempre gostei de aparatos eletrônicos ou “gadgets”. Fui um dos primeiros a ter as famosas “Palmtop”. Tratava-se de um PDA (assistente pessoal digital), lançado no longínquo ano de 1996. Era revolucionário. Cabia na palma da mão (daí o nome Palm) e tinha calendário, agenda de contatos e outras coisinhas mais. Naquela época não havia Wi-Fi ou função de celular. Na verdade, se comparados com os smartphones atuais, eram verdadeiros dinossauros.

Bem, os tempos mudaram. Hoje, existem 6 bilhões e 300 milhões de usuários de smartphones no planeta. A influência e dependência de uma “ferramenta” nas nossas vidas não tem precedentes na história da humanidade. Evidente que já dependemos de gravetos e pedras para fazer fogo, de lanças para caçar ou de espadas para nos defender. Mas, nem todos da familia tinham que possuir tais utensílios, como ocorre agora com os smartphones.

Entrar em lojas como Amazon Go, onde não existe nenhum funcionário, parece não causar mais espanto por aqui. Você entra  com o QR do seu celular, pega o que quiser e vai embora. Tudo  vai direto para o seu cartão de crédito, sem precisar scanear nada.  Desde que, obviamente, voce seja um dos 148 milhões de assinantes do Amazon Prime nos EUA.

O céu parece ser o limite. Assisti, nestes dias, uma entrevista com o Bill Gates sobre tatuagens eletrônicas. Sim! Segundo ele, é o que teremos num horizonte não muito distante. Um chip tatuado na pele que possibilitará, entre outras coisas, monitorar 24 horas por dia as funções do nosso organismo, bem como fazer pagamentos com um simples toque na pele. Carteira, cartão de crédito e celular, pra que?

De novo, não tenho nada contra a tecnologia. Mas é muito desagradável quando temos um problema importante e não conseguimos ser atendidos por pessoas. Nem sempre as máquinas conseguem resolver… . Outro dia, aqui nos Estados Unidos, precisei fazer inúmeras ligações e gastar 90 minutos no celular para poder falar com um ser humano. E que, a propósito, resolveu o problema.  Portanto, depois dos super smartphones e das lojas sem atendentes, que venham os tais chips sub-cutâneos ou tatuagens eletrônicas. Mas, pelo amor de Deus, mantenham pelo menos alguns seres de carne e osso, por favor!

*Fernando Goldsztein, empresário, fundador do The Medulloblastoma Initiative

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