Um povo sem o conhecimento de sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes

Um povo sem o conhecimento de sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes

Marcelo Martins Piton*

10 de agosto de 2021 | 14h55

Incêndio atingiu a Cinemateca, em São Paulo. FOTO: TABA BENEDICTO/ESTADÃO

A frase é de Marcus Garvey e nos remete imediatamente ao Museu Nacional e à Cinemateca. O primeiro, a mais antiga instituição científica do Brasil, localizada no palácio que serviu de residência à família real portuguesa de 1808 a 1821, abrigou a família imperial brasileira de 1822 a 1889 e sediou a primeira Assembleia Constituinte Republicana, de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso do museu, em 1892. A segunda, a instituição responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira, sendo a maior da América latina, com um acervo, até recentemente, de 250 mil rolos de filmes e mais de um 1 milhão de documentos relacionados ao cinema, como fotos, roteiros, cartazes e livros, entre outros.

Ambos, recentemente atingidos por incêndios, causados pela ausência da adequada manutenção. É a memória do povo brasileiro que se consome.

Sombrio ou brilhante, não interessa: necessitamos sempre ser lembrados do nosso passado para que tenhamos consciência de quem fomos e quem devemos ser, eis que entendê-lo também é importante para a compreensão do presente. Segundo o historiador francês Jacques Le Goff, a memória acaba por estabelecer um vinculo entre as gerações humanas e o tempo histórico que as acompanha, tornando possível que a população passe a se enxergar como sujeitos da história, que possuem direitos e, também, deveres.

Assim, devemos exigir que o Poder Público, seja federal ou estadual, atue para a preservação do nosso patrimônio cultural. Devemos exigir que o artigo 215 da Carta Cidadã não seja letra morta. Devemos exigir que a nossa história não seja destruída por negligências que seriam facilmente evitáveis. Do contrário, seremos uma nação sem passado e futuro.

*Marcelo Martins Piton, defensor público do Estado do Rio Grande do Sul, subdirigente do Núcleo de Defesa Cível e mestrando em Direito

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