‘Um pedido de desculpas é o mínimo’

‘Um pedido de desculpas é o mínimo’

‘Parece que vieram atrás do primeiro ‘Amorim’ que acharam’, diz sindicalista preso por engano

José Maria Tomazela/SOROCABA

07 Junho 2018 | 05h10

Ruy Amorim em Sorocaba. FOTO: EPITÁCIO PESSOA/ESTADÃO

Preso por engano pela Polícia Federal na Operação Registro Espúrio, o ex-presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio (Sincomerciário) de Sorocaba Ruy Queiroz Amorim disse esperar por um pedido formal de desculpas. “Não pretendo tomar outras providências, mas um pedido público de desculpas é o mínimo, diante de todo o constrangimento que passei diante da minha família”, afirmou Amorim ao Estado.

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O nome “Amorim” foi citado nas investigações da Registro Espúrio. “Era só um nome, não havia sobrenome ou número de CPF e outros documentos. Sou sindicalista há 30 anos, por isso meu nome está nos arquivos do ministério. Parece que vieram atrás do primeiro ‘Amorim’ que acharam nos registros”, disse.

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Na quarta-feira da semana passada, dia da operação, a mulher de Amorim foi acordada às 6h por batidas no portão do sobrado onde a família mora, no Jardim Europa, zona sul da cidade. “Ela me acordou: ‘Tem um carro preto aí na frente, parece que é a Polícia Federal’. Eu falei que devia ser algo com algum vizinho. Eles pediram que eu descesse”, relatou o ex-presidente do Sincomerciário.

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Os agentes recolheram documentos e prestações de contas de quando ele foi candidato a vereador, em Sorocaba, em 2016. “Eles falaram qual era o propósito da investigação e achei estranho, pois o registro do nosso sindicato já completou 60 anos.” Amorim afirmou que manteve contato com o deputado Paulinho da Força (SD-SP) entre 2012 e 2014, quando ele capitaneava pleito dos sindicatos pela redução da jornada de 44 para 42 horas semanais. “Mas nada foi aprovado.”

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Equívoco. O sindicalista disse que foi levado a uma delegacia em Sorocaba. “Fizeram umas 20 perguntas e eu não tinha conhecimento de nada. Mesmo assim, disseram que eu seria conduzido à superintendência (da PF) em São Paulo.” Amorim viajou de carro, com dois agentes, sem algemas. “Eles foram corteses. Voltei a prestar um longo depoimento. Ao final, o superintendente admitiu que houve um equívoco e disse que seria feito um pedido formal de desculpas.”

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Ele foi liberado às 19h, mas a notícia da prisão já havia se espalhado. “Sou uma pessoa conhecida, já fui candidato a vereador e sou professor de sociologia. Tenho insistido com meus alunos na defesa dos princípios éticos. Como fico depois de uma situação como esta?” Amorim disse que, após a notícia da prisão, recebeu solidariedade de quem o conhece. “O problema é que isso assustou muito minha família. (Meus filhos) ficaram mais assustados que eu, que estava seguro da minha inocência.”

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A superintendência da PF em São Paulo informou que a operação “era da PF do Distrito Federal”. A reportagem entrou em contato com a corporação em Brasília, mas não houve resposta.