Um passo à frente da segunda onda da covid-19

Um passo à frente da segunda onda da covid-19

Gabriel Nunes*

07 de janeiro de 2021 | 03h45

Gabriel Nunes. FOTO: DIVULGAÇÃO

Independentemente de vacinas com potencial para circular em 2021 no combate à Covid-19, sabemos que a oferta das imunizações, infelizmente, não contemplará toda a demanda da população brasileira, muito menos da mundial. Por ora, ainda é preciso manter a conscientização das pessoas para o básico: usar máscaras corretamente, higienizar as mãos e manter o distanciamento social são as ferramentas de cuidado mútuo que temos à disposição no momento.

As mudanças pelas quais o mundo passou em 2020, tão comentadas pela opinião pública, nos abrem os olhos para a importância do investimento e da atenção para as pesquisas. Considerar a ciência neste momento como alicerce para que a sociedade se apoie e supere momentos como este, significa seguir protocolos técnicos, evitar a proliferação descontrolada e a contaminação cruzada do novo coronavírus. É o que sugerem as recomendações de instituições independentes e de grande prestígio em todo o mundo.

O início da segunda onda da Covid-19 na Europa e a iminente chegada ao Brasil já acendeu o alerta para gestores e autoridades sanitárias. É preciso repensar o modo de conviver e agir em sociedade. Para além das recomendações sanitárias, o respeito ao próximo tornou-se algo ainda mais valioso neste período de pandemia.

Contudo, além do respeito aos protocolos e, quem sabe, uma mudança de comportamento, o que mais podemos fazer de concreto o que podemos fazer enquanto a cura não chega? Como devemos nos preparar para o próximo eventual aumento do número de casos?

Diferentemente de março, quando a pandemia chegou ao Brasil, hoje o mercado está um passo à frente para a proteção da população. Além dos profissionais de saúde conhecerem melhor o comportamento do vírus, a indústria química disponibilizou no mercado materiais capazes de inativá-los no contato com as mais diferentes superfícies.

No entanto, São Paulo registra, de forma contínua, uma alta nos números por conta do novo coronavírus. Entre os dias 15 e 21 de novembro, a Secretaria de Saúde do estado registrou 17% de internações a mais na comparação com a semana anterior, logo após um aumento de 18% observado ante os primeiros sete dias do mês. Obviamente, uma grande parcela deste aumento nas contaminações se deve ao relaxamento das medidas restritivas ligado às eleições ou por descrença por parte da população no potencial de contaminação.

A percepção é a de que, enquanto as vacinas não são finalizadas e disponibilizadas para a população, o caminho é buscar alternativas que possibilitem o retorno à vida ativa, com deslocamentos pelas cidades, mas sempre com o máximo de segurança para as pessoas em trânsito.

Com este cenário em mente, produtos que antes tinham uma única função passaram a ter revestimento antiviral para ajudar a população no controle da doença. Hoje é possível encontrar desde sacos de lixo até máscaras para o rosto de uso diário com proteção extra contra o Sars-Cov-2. Atualmente, já se sabe que a contaminação cruzada é um dos grandes fatores para o crescimento exponencial da pandemia e, por isso, a indústria tem se dedicado incansavelmente a elaborar produtos que possam diminuir a taxa de infecção.

Também já é comum nos depararmos com ônibus totalmente protegidos contra vírus e bactérias, trens e metrôs imunizados com proteção nos compartimentos de filtração de ar e tecidos. Comércios e grandes escritórios continuam com apenas uma fração de sua capacidade total, mas os espaços, que são retomados aos poucos para a atividade essenciais, passam a contar com assentos, toalhas e divisórias antivirais para as pessoas.

É por isso que vejo como fundamental o investimento em tecnologia antiviral. A indústria tem feito um esforço para disponibilizar material a custo baixo para a sociedade. Existe uma grande vantagem na potencialização de desempenho de produtos já disponíveis no mercado, mas é sempre necessário assegurar de que os produtos que recebam tal funcionalidade ajam apenas contra os microrganismos e não ofereçam riscos à população e ao meio ambiente.

Esse investimento em antivirais é de fundamental importância para a segurança de todos, especialmente em um momento de transição entre o isolamento irrestrito e o horizonte com vacinas disponíveis. Porém, reforço: mesmo com produtos que inibem a contaminação cruzada, é essencial seguirmos com os protocolos de higiene, mesmo em ambientes com proteção antiviral, sejam estes nossas casas, os escritórios ou os transportes públicos.

Também é fundamental que as empresas tenham estratégias contra o vírus nos planejamentos para 2021. Ações em home-office, rodízios de colaboradores e o investimento em diferentes revestimentos de superfícies com produtos que contam com aditivos antivirais, sejam eles máscaras, acrílicos, ou até spray de superfícies que podem assegurar um benefício extra para com a saúde dos colaboradores.

*Gabriel Nunes, engenheiro de materiais, é diretor-geral da TNS Nanotecnologia

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