Um mundo sem chefes

Um mundo sem chefes

Cassio Grinberg*

31 de janeiro de 2019 | 09h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Estamos preparados para um mundo sem chefes? Em seu podcast WorkLife, Adam Grant, autor do livro “Originais”, explorou recentemente a temática de como um indivíduo se sente sendo o seu próprio chefe. Segundo ele, ao mesmo tempo em que a experiência pode ser libertadora, ela também pode ser, paradoxalmente, paralisante.

O Brasil tem se interessado em aprender com Israel, cujo exército está fundado sobre a marcante característica da “não-hierarquia”: ali um líder não é um chefe, e sim alguém com competência para inspirar e promover empoderamento com responsabilidade, num ecossistema em que as patentes são tão dinâmicas quanto um general servir café a um soldado caso seja ele quem esteja mais perto da jarra.

Negócios como Waze e Wix foram criados dentro da Unidade 8200 deste exército, contribuindo para que um país do tamanho de Sergipe, praticamente sem recursos hídricos e cercado por inimigos (contra quem venceu quatro guerras) tenha, em apenas 70 anos, se tornado a nação com o maior número de startups per capita e com mais patentes registradas do que a soma de Rússia, Índia e China – países com população 300 vezes maior.

Soubemos, recentemente, que a Netflix adota uma política semelhante: lá, os funcionários são livres para executar o trabalho da forma como acharem melhor, definindo quais atividades devem ser priorizadas e tirando férias quando bem entenderem.

Se recuarmos algumas décadas no tempo, veremos que a Patagônia, marca de roupas e equipamentos de escalada com vendas anuais de 750 milhões de dólares tem, desde o início, uma política “go surfing”: permitir que os funcionários parem o que estão fazendo para ir surfar. Um surfista sério, diz o fundador Yvon Chouinard, não planeja ir surfar com uma semana de antecedência: ele vai quando o mar estiver chamando e, desde que o trabalho seja concluído sem atrapalhar a vida dos demais, as horas podiam ser flexíveis – numa época em que sequer se falava disso.

Mais do que aprendermos com os exemplos de Israel, da Netflix ou da Patagônia, talvez devêssemos nos perguntar: estamos prontos para nos comprometer com a responsabilidade necessária para usufruir da liberdade que estamos, no meio empresarial, conquistando?

*Cassio Grinberg, economista e consultor de empresas

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