Um mês antes da ‘Mapa da Mina’, Lulinha rompeu sociedade com dono do sítio de Atibaia, pivô da maior condenação de Lula

Um mês antes da ‘Mapa da Mina’, Lulinha rompeu sociedade com dono do sítio de Atibaia, pivô da maior condenação de Lula

Documentos apreendidos pela Polícia Federal em 10 de dezembro na fase 69 da Lava Jato revelam distrato entre a empresa de Jonas Suassuna e a de Fábio Luís Lula da Silva em uma das sociedades do grupo que é atribuído ao filho do ex-presidente nos negócios com a Oi

Pepita Ortega e Luiz Vassallo

06 de fevereiro de 2020 | 16h32

Reprodução

Um mês antes da Operação Mapa da Mina, fase 69 da Lava Jato, o empresário Jonas Suassuna, dono do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, rompeu a sociedade com Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o que consta de documentos apreendidos pela Polícia Federal no dia 10 de dezembro na Operação Mapa da Mina.

Documento

O imóvel, no interior de São Paulo, foi pivô da maior condenação do ex-presidente na Lava Jato, a 17 anos e um mês de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O petista recorre em liberdade.

Suassuna era proprietário formal, junto de Fernando Bittar, mas o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região concluiu que as reformas de R$ 1 milhão da OAS e da Odebrecht para melhorias e ampliação da propriedade rural eram propinas para Lula.

Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. Foto: Paulo Giandalia / AE

Em depoimento, Bittar afirmou que ‘na cabeça’ dele, as obras foram pagas por Lula, e negou que as obras fossem para ele.

Na Operação Mapa da Mina, a força-tarefa mira os pagamentos da Oi/Telemar efetuados entre 2004 e 2016, superiores a R$ 132 milhões. Segundo as investigações, R$ 500 mil oriundos da operadora serviram para comprar o sítio.

Entre os documentos apreendidos pela força-tarefa, estão e-mails que reforçariam o suposto viés político da subcontratação de empresas do filho de Lula pela Oi, e também uma cobrança da operadora a Lulinha, no valor de R$ 6,8 milhões.

Outro documento revela que, um mês antes da operação, foi feito um distrato entre a empresa de Suassuna e a de Lulinha em uma das sociedades do grupo que é atribuído ao filho do ex-presidente nos negócios com a Oi.

A força-tarefa descreve. “Instrumento particular assinado por Fábio Luís Lula da Silva e Jonas Leite Suassuna Filho, em 28 de outubro de 2019, no qual se registra a saída da GOL Mídia Participações Ltda do quadro societário da BR4 Participações Ltda, cedendo a título oneroso as quotas sociais avaliadas em R$ 1.350.500,00 para a G4 Entretenimento e Tecnologia Digital Ltda.”

Segundo o Ministério Público Federal, os pagamentos da Oi/Telemar foram efetuados entre 2004 e 2016 e são superiores a R$ 132 milhões.

A Procuradoria aponta que parte desses recursos foi usada para compra do sítio de Atibaia.

Os pagamentos teriam sido feitos ao grupo Gamecorp/Gol, integrado pelas empresas G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, Gamecorp, Editora Gol, Gol Mídia, Gol Mobile, Goal Discos, Coskin, PJA Empreendimentos e PDI – empresas ligadas a Lulinha, que é sócio dos irmãos Fernando Bittar e Kalil Bittar e pelo empresário Jonas Suassuna.

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