“Um certo revanchismo às vezes reaparece”, diz Moro sobre mensagens com Deltan

“Um certo revanchismo às vezes reaparece”, diz Moro sobre mensagens com Deltan

Ao ser condecorado pelo governador João Doria (PSDB) com a medalha Ordem do Ipiranga, ministro da Justiça e Segurança Pública volta a comentar supostas mensagens com procuradores da Operação Lava Jato

Mateus Fagundes, Pedro Venceslau e Luiz Vassallo

28 de junho de 2019 | 15h51

Reprodução

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, voltou, nesta sexta-feira, 28, a reagir à divulgação de mensagens com integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, durante condecoração no Palácio dos Bandeirantes. Ele recebeu a medalha Ordem do Ipiranga do governador João Doria (PSDB).

“Nas últimas três semanas, uma historia longa, conhecida, tenho sofrido vários ataques, achei que a Operação Lava Jato tivesse ficado para trás, estamos em uma nova fase. Mas há um certo revanchismo que às vezes reaparece”, disse Moro.

O ex-juiz da Operação Lava Jato voltou a dizer que as mensagens ‘não têm demonstração de autenticidade’.

“O que eu mais tenho ouvido das pessoas é que elas cumprimentam e o que eu mais ouvi é: não desista. Eu posso assegurar, não vamos desistir. Aceitei a missão que foi dada pelo presidente Bolsonaro, saí da magistratura, não foi uma decisão fácil. foram 20 anos de magistratura deixados para trás com todos os benefícios da carreira. e é um caminho sem volta”, diz Moro.

Diálogos atribuídos a procuradores e ao ex-juiz da Lava Jato no Telegram foram divulgados pelo site The Intercept. As mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil indicam supostos ‘ajustes’ de fases da operação Lava Jato.

O ministro e ex-juiz voltou a afirmar que as “invasões criminosas” de celulares estão sendo investigadas. “A Polícia Federal deve chegar aos responsáveis”, disse.

O ministro agradeceu também o apoio que diz estar recebendo do presidente Jair Bolsonaro. “Desde o início deste falso escândalo, a meu ver, presidente tem prestado apoio”, disse.

Ao agradecer a esposa Rosângela, presente no evento, ele disse que ele o tem apoiado, principalmente nos últimos cinco anos. “(Este período) Não tem sido muito fácil”, afirmou, arrancando risos da plateia, composta por secretários, apoiadores do ex-juiz e convidados especiais do governador paulista, João Doria (PSDB). “A operação Lava Jato foi alvo de ataques morais, baseados às vezes em incompreensões.”

O ex-juiz ainda destacou a Operação Lava Jato como uma ‘vitória das instituições’ e classificou como ‘caminho sem volta’ a entrada na vida política, ao assumir o Ministério da Justiça.

“O plano é consolidar os avanços contra a corrupção. Avançar no enfrentamento do crime organizado e combater o crime violento”.

“Não podemos mais afirmar que essa impunidade é regra. Temos que avançar muito. Existe sempre a sombra do retrocesso. Precisamos ter uma vontade institucional de avançar. Permanecer parado ou retroceder é fácil. Essa foi uma vitória das instituições e da democracia”, diz.

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