Um carnaval sem abusos; leia as dicas da delegada Raquel para foliãs e foliões

Um carnaval sem abusos; leia as dicas da delegada Raquel para foliãs e foliões

Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati lembra que muitas vezes o homem tem a visão errada de que na festa de Momo tudo pode, 'mas não pode'

Pepita Ortega

16 de fevereiro de 2020 | 11h40

Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. Foto: Divulgação

‘Muitas vezes o homem tem a visão errada de que no Carnaval tudo pode. Não pode!’.

O alerta é de Raquel Kobashi Gallinati.

Raquel é uma moça bonita e elegante. Sua profissão: delegada de Polícia Civil de São Paulo.

Ela preside o Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de São Paulo. Sua trajetória é marcada por uma defesa intransigente da categoria que representa.

Mas, agora, ela vai falar sobre o Carnaval, que vem chegando. E sobre os cuidados que as mulheres, especialmente, devem adotar nos dias de Momo.

Foto: Polícia Civil

“A fronteira entre a alegria e o crime é o ‘Não’ da mulher”, ela diz.

São vários dias e noites de grande festa popular, milhares de foliões nas ruas em blocos, trios elétricos, bailes e escolas de samba.

Mas a euforia, observa Raquel, pode dar a lugar a algum contratempo, sobretudo quando a foliã é vítima de abuso sexual por homens que já saem de casa mal-intencionados ou que simplesmente confundem a alegria com um salvo-conduto para cometer um crime com a certeza da impunidade.

A delegada Raquel enumera uma série de cuidados que podem ser tomados para evitar casos de importunação sexual em situações que até já ocorrem diariamente, mas que se intensificam nessa época.

“A responsabilidade do abuso é toda de quem comete o crime e mesmo que a mulher não siga essas precauções, a culpa não será dela”, explica a delegada.

Raquel Kobashi Gallinati, Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. Foto: Assessoria de Imprensa / Divulgação

Segundo Raquel. “Infelizmente temos que dar essas orientações porque a nossa cultura como sociedade ainda está longe de garantir a integridade física das mulheres sem que elas tenham que se colocar em posição de defesa.”

A importunação sexual consiste em qualquer ato que resulte no constrangimento da vítima. A pena pode ir de um a cinco anos de prisão.

CONFIRA AS DICAS DA DELEGADA RAQUEL PARA AS MULHERES

Como se manter segura no Carnaval

– Ande sempre acompanhada – marque suas saídas de carnaval com grupos de amigos

– Evite ruas desertas e com pouca iluminação

– Marque pontos de encontro com os amigos na chegada, em um horário determinado durante a festa, e na saída

– Em aplicativos de transporte, compartilhe a corrida com pessoas conhecidas e envie o print da corrida para amigos e familiares para que eles possam monitorar o trajeto.

– Não aceite caronas de desconhecidos em nenhuma hipótese e, mesmo de conhecidos, evite pegar carona sozinha.

– Ative a localização do seu celular e envie para alguém da sua família.

– Atenção a carros e motos. Se perceber que está sendo seguida, entre no primeiro prédio ou comércio e acione a polícia

– Em caso de violência não hesite em acionar a polícia e discar 180 para a Central de Atendimento à Mulher ou vá a uma delegacia com todas as informações que tiver sobre o agressor

– Ande sempre com o seu RG

– Não aceite bebidas de pessoas estranhas, fique atenta ao seu copo, não beba do copo de ninguém e não faça uso de substâncias ilegais.

AGORA, LEIA AS DICAS DE RAQUEL PARA OS HOMENS

– Não é não. E também não é motivo para se tornar agressivo

– A paquera só existe quando é correspondida sem ter que ser forçada

– Não toque pessoas desconhecidas sem autorização. Nesse caso, agarrar pelo braço ou cintura, puxar cabelo e passar a mão são exemplos

– Se encontrar uma mulher em situação de vulnerabilidade, proteja, ao invés de tirar vantagem

– Qualquer tipo de abuso mediante ameaça é estupro, com pena que pode chegar a 30 anos nos casos mais graves

– Abuso contra pessoa incapaz de se defender, como uma mulher inconsciente, também é estupro

– Qualquer relação com menor de 14 anos é estupro, mesmo se for consentida

Isto posto, divirtam-se!

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