Um caminho para valorizar a educação, os professores e o civismo

Um caminho para valorizar a educação, os professores e o civismo

Matheus Coimbra de Aguiar*

24 de setembro de 2019 | 13h00

Matheus Coimbra de Aguiar, o Tenente Coimbra (PSL), Foto: Divulgação / Assessoria de Imprensa

Todo dia, um professor é agredido fisicamente por aluno dentro de uma sala de aula no estado de São Paulo. No ano passado, foram computados 434 Registros de Ocorrência Escolar referentes à violência física em sala de aula, número que quase duplicou em comparação a 2014. Semana passada, tivemos mais um caso, um aluno de 14 anos esfaqueou um professor durante uma prova no Centro Educacional Unificado Aricanduva, na zona leste de São Paulo.

Essa realidade pode mudar se medidas forem adotadas. Muitas são de longo prazo e miram uma alteração mais profunda da sociedade, outras podem ser implementadas a médio e curto prazos. A principal delas tem o potencial de reduzir os índices de violência escolar por meio de um trabalho conjunto entre a Secretaria de Educação e a Secretaria de Segurança Pública: as escolas cívico militares.

Essas instituições já se mostraram eficientes tanto na melhoria dos índices de educação quanto na redução do vandalismo e da violência no ambiente escolar e no seu entorno.

O modelo de gestão compartilhada, voltado para escolas localizadas em regiões com altos índices de vulnerabilidade social, melhora a disciplina, reduz os conflitos escolares e amplia a segurança. Com isso, os professores também são valorizados, porque têm seus direitos resguardados e podem se dedicar sem medo ao mais nobre ofício de qualquer sociedade.

Em São Paulo, comandamos uma Frente Parlamentar que tem como objetivo espalhar essas instituições pelo Estado, atendendo a uma determinação do Ministério da Educação. Nossa função é apresentar o modelo aos municípios e intermediar os trâmites de implantação.

Na gestão compartilhada, policiais militares da reserva atuam na administração e na disciplina, enquanto toda parte pedagógica continua sob a responsabilidade da Educação. Não há qualquer interferência militar no conteúdo repassado às crianças do Ensino Fundamental e Médio, período escolar para o qual o modelo é voltado.

Experiências em estados como Goiás, Amazonas, Minas Gerais e Distrito Federal mostram que a adoção desse sistema se traduz em aumento dos indicadores da qualidade de educação, medidos pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Enquanto nas escolas tradicionais, a média é de 4.94, nas escolas militares o índice chega a 6,99.

Um exemplo recente é o Colégio Militar Dr. Cezar Toledo, em Anápolis (GO). Em 2017, a escola teve a melhor nota no Ideb do estado e a 33ª melhor do Brasil. Enquanto a média do país, naquele ano, foi de 4.5, no Cezar Toledo, a nota foi 7,5. Não é à toa que, no ranking nacional das escolas públicas, das vinte melhores posicionadas, quatro são militares.

*Matheus Coimbra de Aguiar, o Tenente Coimbra (PSL), tem 28 anos, é de Santos, no litoral paulista. Formado em Administração de Empresas e concluente do curso de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra (ADESG), é 1º tenente licenciado do Exército Brasileiro, em que ficou por nove anos.

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