Um ano de pandemia: mudanças no comércio eletrônico e seus benefícios para pequenos e médios negócios

Um ano de pandemia: mudanças no comércio eletrônico e seus benefícios para pequenos e médios negócios

Pedro Henrique Freitas*

09 de abril de 2021 | 04h30

Pedro Henrique Freitas. FOTO: DIVULGAÇÃO

O ano de 2020 foi diferente de todos os outros que já se passaram desde quando iniciaram as primeiras compras online. Com a mensagem “fique em casa” ecoando em todos os canais, as pessoas passaram a utilizar mais os meios digitais para suas compras. No período, os números do e-commerce registraram aumento recorde, de acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em parceria com a Neotrust: o salto foi de 68% se comparado com 2019.

Principais impactados com as incertezas na economia, não só as grandes empresas, mas os pequenos e médios negócios foram surpreendidos na última Black Friday, uma das datas mais promissoras para o comércio eletrônico. Dados da consultoria Ebit | Nielsen mostram que as vendas pela internet no período bateram recorde, com movimento de R$ 4 bilhões entre os dias 26 e 27 de novembro, alta de 25% em relação ao ano anterior.

No ano que passou, os pequenos e médios do e-commerce também foram beneficiados com grandes novidades que transformaram o seu dia a dia, já que muitas delas tornaram ainda mais positiva a experiência de compra do cliente e trouxeram muitas facilidades para quem vende.

Uma delas foi a chegada do PIX. Criada pelo Banco Central, a transação financeira permitiu que comerciantes pudessem realizar e receber transações 24 horas por dia, 7 dias por semana, aos fins de semana e feriados de forma praticamente instantânea. O PIX descomplicou muita coisa e as lojas puderam contar com o recebimento do valor à vista poucos segundos após seu cliente efetuar uma compra. Com isso, o caixa foi menos afetado com os descontos de um pagamento feito através do cartão de crédito, por exemplo, e nem os comerciantes ou clientes precisavam esperar a compensação de até 3 dias de um boleto bancário.

A facilidade para vender também veio de fora. O marketplace singapurense Shopee já existe há mais de 5 anos, mas, diferente de outras plataformas asiáticas, ele permite que comerciantes que estejam em solo brasileiro vendam seus produtos. Os lojistas não pagam taxa de inscrição, recebem todo um suporte e segurança nas vendas com o acompanhamento de dados e rastreamento de entrega e ainda têm a oportunidade de participar das campanhas da plataforma e garantir ainda mais visitas à sua loja.

Ainda falando em marketplaces, varejistas como Magazine Luiza e Casas Bahia deixaram de vender apenas seus produtos e abriram as portas para outras empresas. Isso é muito favorável às pequenas e médias, que podem se destacar através dessas marcas já tradicionais.

E se antes os idosos tremiam só de pensar em pegar um celular nas mãos, o isolamento social causado pela pandemia favoreceu a entrada dessa faixa etária no comércio eletrônico. Segundo pesquisa feita pela Pace Pulse Brasil, 44% do público de 55 a 73 anos optaram por realizar compras de supermercado, por exemplo, no ambiente online, representando 6% do total de clientes de comércio eletrônico no ano passado.

O interessante de 2020 é que as pessoas passaram a ver o comércio eletrônico como aliado fundamental nos tempos de pandemia, e realmente foi. A tecnologia permitiu que os comerciantes se reinventassem, e foi uma mão na roda para os pequenos e médios, que puderam manter seus negócios ativos, além dos que precisaram empreender e encontraram no mundo virtual a chance de começarem uma vida nova.

*Pedro Henrique Freitas é CEO da Loja Integrada

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