Twitter suspende conta ‘reserva’ de Sara que divulgou dados de criança vítima de estupro

Twitter suspende conta ‘reserva’ de Sara que divulgou dados de criança vítima de estupro

Perfil era utilizado pela extremista desde que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou o bloqueio da conta original no inquérito dos atos antidemocráticos; canal no Youtube e perfil no Instagram também foram suspensos

Paulo Roberto Netto

19 de agosto de 2020 | 22h17

O Twitter suspendeu nesta quarta, 19, a segunda conta da extremista Sara Giromini na plataforma. A medida ocorre após o perfil divulgar o nome da criança de dez anos que engravidou após ser vítima de abuso sexual cometido pelo tio, no Espírito Santo.

A conta secundária da extremista estava sendo utilizada após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenar o bloqueio do perfil principal de Sara Giromini nas redes sociais no inquérito que apura ameaças, ofensas e ‘fake news’ contra a Corte.

Foi por meio desse perfil ‘reserva’ que a extremista convocou no domingo, 16, manifestantes religiosos para a porta do hospital em Recife onde a criança de dez anos passou por uma cirurgia para abortar a gravidez resultada do estupro. Sara tornou público o nome da criança, informação que é protegida por sigilo garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O perfil da extremista agora conta com uma mensagem indicando que foi suspenso por violar as regras de uso da rede social. Como é praxe, o Twitter não especifica qual conduta levou à suspensão do perfil.

Nesta terça, 18, o Youtube encerrou o canal da extremista – a medida, segundo a plataforma, é adotada quando o perfil ‘viola repetidamente’ as regras de uso da rede social. O Instagram também suspendeu o perfil de Sara.

A extremista Sara Giromini, em frente à sede da Polícia Federal. Foto: Gabriela Biló / Estadão

Sara foi alvo nesta quarta de ação civil do Ministério Público do Espírito Santo, que acusa a extremista de adotar postura ‘político-sensacionalista’ para expôr ‘a triste condição da criança de apenas dez anos de idade’, contrariando o ECA. A Promotoria destaca ainda que Sara obteve acesso, ‘de forma ilegal’, a detalhes do caso sob sigilo envolvendo uma criança vítima de violência sexual.

O MP apontou ainda que Sara violou o Marco Civil da Internet ao dar publicidade a dados pessoais de uma criança nas redes sociais e a Constituição Federal, que garante o direito à integridade da pessoa humana.

A Promotoria cobra que Sara pague indenização de R$ 1,32 milhão, que será revertido para o Fundo Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente.

Inquérito das ‘fake news’. O perfil suspenso pelo Twitter nesta quarta se tratava um ‘reserva’ criado pela extremista após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenar às plataformas que bloqueassem os perfis de investigados no inquérito que apura ‘fake news’, ofensas e ameaças contra integrantes da Corte.

Moraes justificou a decisão que suspendeu o perfil de Sara e outros bolsonaristas com a necessidade de ‘interromper discursos criminosos de ódio’. A medida foi determinada em maio, quando apoiadores do governo foram alvo de buscas pela Polícia Federal, mas só foram cumpridas em julho, quando o ministro enviou às plataformas a lista completa de perfis que deveriam ser bloqueados.

Sara Giromini foi presa pela Polícia Federal no âmbito de outro inquérito sigiloso no Supremo, que apura o financiamento de atos antidemocráticos em Brasília. Ela ficou detida por dez dias por ordem de Alexandre de Moraes e teve a prisão convertida por medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de se aproximar das sedes do Congresso Nacional e o Supremo, em Brasília.

Esta segunda investigação mira a existência de suposta associação criminosa voltada para o financiamento, publicidade e divulgação de manifestações pelo fechamento do Congresso Nacional e em defesa de intervenção militar em Brasília. Indícios apontam que o grupo visaria obter lucros financeiros e políticos com os atos.

Tudo o que sabemos sobre:

Sara WinterTwitter

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: