‘Turma do PMDB do Senado’ se afastou após informações de delação, diz Joesley

‘Turma do PMDB do Senado’ se afastou após informações de delação, diz Joesley

Executivo da JBS relatou à força-tarefa da Procuradoria que senadores do partido o evitavam depois do início das tratativas com o Ministério Público Federal

Beatriz Bulla, Fábio Serapião e Fábio Fabrini

19 de maio de 2017 | 19h10

O presidente em exercício Michel Temer deixa a casa oficial do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, após reunião em que também participaram o senador Romero Jucá e o presidente do (PMDB-BA) Geddel Vieira Lima, em Brasilia (DF). Foto: Wilton Júnior/Estadão

O empresário Joesley Batista, do Grupo JBS, disse em delação premiada que senadores do PMDB se afastaram dele após o início das tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Depois de um processo de ‘contrainformação’ dentro do Ministério Público Federal, para indicar que o executivo não mais fecharia o acordo, políticos se reaproximaram. Ele cita como exemplo os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR).

“(…) Aconteceram dois, três episódios curiosos, que começaram vários políticos, várias pessoas, principalmente ligadas a ele (advogado Willer Tomaz), ao PMDB, a turma do PMDB do Senado ali, a gente começou a perceber um afastamento muito rápido deles. Em Brasília começou rapidamente correr uma historia que nós estávamos começando a fazer delação”, disse Joesley aos procuradores.

Investigados na Lava Jato, Renan e Jucá já foram gravados com a operação em curso por um delator, o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Joesley contou sobre o afastamento dos peemedebistas quando comentou à PGR a relação com o advogado Willer Tomaz, que foi contratado para defender empresa do grupo no âmbito da Operação Greenfield e contava com Ângelo Goulart – procurador da República – como um infiltrado na força tarefa da investigação.

Goulart teria passado informações privilegiadas a Tomaz sobre a Operação Greenfield – investigação que aponta rombo bilionário nos maiores fundos de pensão do País -, que repassava para Joesley.

Janot pediu abertura de inquérito ao STF para investigar Goulart e Tomaz por tentativa de obstrução de Justiça.

Segundo relato de Joesley, preocupado com o possível vazamento de informações, seu advogado procurou o chefe da força-tarefa da Greenfield para relatar que outras pessoas estavam falando sobre a negociação de delação – indicando suspeita de vazamentos. Foram adotadas a partir daí técnicas de ‘contrainformação’ por parte do responsável pela condução da Greenfield – um procedimento adotado internamente dentro do Ministério Público quando há suspeita de vazamento de informações. Depois disso, políticos voltaram a atender o empresário.

“A gente percebeu que foi parando os boatos e curiosamente o Tomaz, que tinha sumido, começou a voltar uma semana depois, foi voltando à normalidade. E curiosamente ao mesmo tempo esses políticos começaram a voltar responder mensagem, uma ligação”, disse Joesley.

Questionado na Procuradoria-Geral da República sobre exemplos de políticos, ele citou Renan e Jucá. “Eu tinha pedido pra falar com Renan não consegui. Em situação normal sempre tive ótima relação. Ele não me atendeu e também não me disse por quê”, disse. “O senador Jucá também. Mandei mensagem dizendo que precisava falar e ele não me atendeu, ele sumiu”, disse. Joesley Batista disse ter conhecimento que Willer Tomaz tinha ótimo relacionamento com o ex-ministro Fabiano Silveira, que ocupou o Ministério da Transparência e era ligado a Renan.

Joesley relata que até por saber da atuação de Goulart dentro da Greenfield, resolveu “subir de instância” e procurar diretamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) para negociar a delação. Segundo o empresário, Ângelo Goulart repassou ao advogado Willer Tomaz a gravação de uma audiência com um ex-sócio de Joesley. A gravação, feita pelos procuradores da Greenfield, foi então mostrada ao executivo da JBS. “Quando aconteceu esse episódio que ele (Tomaz) me mostrou essa gravação, falei ‘pô, quem faz com um faz com outro né?’ Me assustei”, disse o executivo. Ângelo Goulart e Willer Tomaz foram presos preventivamente por pedido da PGR atendido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin.

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