Turismo marítimo aguarda definição

Turismo marítimo aguarda definição

Hamilton Vasconcellos*

10 de setembro de 2021 | 06h00

Hamilton Vasconcellos. FOTO: DIVULGAÇÃO

Paralisado pela pandemia (covid19) quando atravessava um bom momento, temporada 2019/2020, com seu terceiro crescimento consecutivo, tanto de cruzeiristas quanto de navios, o segmento de turismo marítimo aguarda ansiosamente o aval definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), para dar segmento à temporada 2021/2022. Vale registrar que a última temporada, 2020/2021, passou no zero. A expectativa para o este ano é que a atividade gere uma receita de até RS$ 2,5 bilhões e aproximadamente 35 mil empregos (diretos e indiretos).

Segundo dados do Píer Mauá, Rio de Janeiro, pelo menos 50% dos valores movimentados ficam nos portos de embarque. Assim, cerca de 1 bilhão de reais são canalizados para os três portos mais importantes do país, Rio, Santos e Salvador.

Para quem pensa que há folga, tempo, para a decisão, vale lembrar que este é um setor onde o planejamento é feito com muitos meses de antecedência. Deste modo, o tempo urge, estamos é atrasados. Contudo, sabemos que não é uma liberação simples, fácil de tomar. Afinal, as variáveis são enormes, desde ritmo de vacinação até a evolução ou involução da pandemia no Brasil e no mundo.

Entretanto, é importante lembrar que Estados Unidos e Europa já retomaram suas atividades, a Colômbia em 23 de agosto, a Argentina deve retomar progressivamente a partir de 20 de outubro. Além disso, as principais cidades brasileiras, inclusive o Rio, já discutem como será o réveillon, o carnaval, e até para o Rock in Rio já se abriu a contagem regressiva.  Deste modo, como deixar de fora o segmento de cruzeiros marítimos?

Estudo realizado pela CLIA Brasil/FGV mostra o quanto o segmento é importante para economia. Na temporada 2019/2020, interrompida em março 2020, quase no final do ciclo, o impacto econômico do setor, segundo o estudo, foi de aproximadamente, R$ 2,2 bilhões (7,6% superior ao resultado da temporada 2018/2019), sendo 50,5% em gastos pelas armadoras e 49,5% por tripulantes e passageiros. Além disso, foram gerados mais de 33 mil empregos e uma movimentação em tributos superior a R$ 296 milhões.

Na análise da alavancagem econômica, (AIE), da temporada 2019/2020, verificou-se que cada R$ 1,00 gasto pelas armadoras para a realização da atividade, movimentou-se R$ 4,63 na economia brasileira.

Assim, como em outros segmentos do turismo, a movimentação econômica gerada pelos cruzeiros marítimos envolve diversas outras atividades da economia brasileira. Deste modo, os negócios não se restringem apenas às cidades portuárias, pois os serviços e produtos direcionados a esse mercado são oriundos de diferentes cidades e regiões do Brasil. O setor gera impacto econômico local e nacional, produzindo empregos, negócios e receitas governamentais em forma de tributos. Itens muito almejados neste momento pelo país.

*Hamilton Vasconcellos, presidente da Comissão de Turismo da OAB-RJ e diretor jurídico da Federação de Convetions & Visitors Bureaux do Estado do Rio de Janeiro (FCVB-RJ)

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