Tudo junto, mas separado: o cenário logístico pós-pandemia de covid-19

Renato Junoy*

21 de julho de 2020 | 05h45

Renato Junoy. Foto: Divulgação

Apesar da pandemia aparentemente ter atingido seu pico de infectados, os efeitos e seus impactos ainda são fortemente sentidos por todos. Independentemente de todas as adversidades, as pessoas precisam trabalhar, consumir e se divertir da melhor forma possível. Nesse cenário, os canais digitais se consolidam como importante recurso para empresas venderem seus produtos, ocasionando uma reação em cadeia em todo o ecossistema e provocando alterações significativas em diferentes setores, como a logística. Paradoxalmente, mesmo em um cenário de distanciamento social, é preciso, mais do que nunca, trabalhar em conjunto para proporcionar a melhor experiência ao consumidor. 

As soluções para entrega de produtos e encomendas estão em alta justamente por levar aos consumidores as compras que antes eram feitas presencialmente. Um levantamento na base de dados da startup Eu Entrego, por exemplo, mostra que houve crescimento de 515% no total de entregas desde o início da pandemia, em 18 de março. Outras empresas que trabalham com logística também identificam oportunidades nas atuais circunstâncias, desenvolvendo modelos de negócios diferenciados que aumentam a eficiência ao mesmo tempo que reduzem custos operacionais. 

Curiosamente, para resolver a demanda provocada pelo distanciamento social, o setor logístico percebeu que é necessário trabalhar em conjunto, desenvolvendo parcerias e projetos colaborativos para dar conta de todas as entregas com a rapidez e a qualidade esperada pelas pessoas. Hoje, os usuários compram diferentes itens pela internet, demandando diversas formas de entregas. A pessoa até aceita esperar alguns dias para receber seu livro ou eletrodoméstico comprado na web, mas ela quer que suas compras de supermercado e farmácia sejam entregues o quanto antes. 

Em suma: a pandemia exige que novos modelos estejam à disposição das empresas, uma vez que nem sempre o sistema utilizado anteriormente vai dar os resultados esperados. Isso só é possível quando as grandes corporações do setor identificam o potencial que startups podem trazer para a área. Não se trata de competição por mercado, mas sim de preencher os espaços que ainda estão abertos. Essas companhias querem trazer ganho operacional para a área por meio da tecnologia e da inovação, melhorando gradativamente as entregas, mesmo em um momento de intensa demanda. 

O crowdshipping exemplifica esse cenário. Essa é uma opção mais rápida, barata, confiável e inteligente por utilizar cidadãos comuns (em seus próprios meios de transporte) para realizar as entregas. Além de atender diretamente ao setor varejista, principalmente com o conceito de same-day delivery (entrega no mesmo dia) para compras de produtos perecíveis, a proposta também atende a uma das grandes dores dos operadores logísticos: o last mile, que corresponde ao último trecho do processo de entrega. É uma situação ideal para quem precisa levar um produto a uma cidade pequena, por exemplo. 

Enquanto as relações sociais tendem a ficar mais distantes, ainda como reflexo do isolamento social, o mundo pós-pandemia também vai ser marcado pela necessidade de parcerias e trabalhos em conjunto, principalmente na área logística. Parece uma situação contraditória, mas extremamente necessária nas atuais circunstâncias. Apenas com a união de todos é possível manter a nossa rotina e, assim, seguir a vida da melhor forma possível.  

*Renato Junoy é diretor executivo da Eu Entrego, startup de entregas colaborativas

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.