TSE vai investigar financiamento de atos de 7 de Setembro

TSE vai investigar financiamento de atos de 7 de Setembro

Nova frente de apuração foi incluída no inquérito administrativo instalado no contra o presidente Jair Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral

Weslley Galzo/BRASÍLIA

15 de setembro de 2021 | 18h19

Bolsonaro na Esplanada no 7 de Setembro. Foto: Gabriela Biló/Estadão

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Luís Felipe Salomão, decidiu nesta quarta-feira, 15, abrir uma nova frente de investigações no âmbito do inquérito administrativo instalado no contra o presidente Jair Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão do ministro autoriza as autoridades envolvidas a apurarem se políticos e empresários financiaram as manifestações antidemocráticas convocadas pelo governo federal para o feriado do dia 7 de setembro.

Salomão quer averiguar se as caravanas realizadas por todo o País para levar os apoiadores do presidente a Brasília e a São Paulo no feriado da independência foram organizadas com base em pagamentos de transporte e diárias em alojamentos aos interessados. A Corregedoria também quer identificar se houve campanha eleitoral antecipada – uma das frentes do inquérito administrativo que apura se Bolsonaro e outros investigados cometeram crimes de abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação social, fraude, corrupção, dentre outras ilegalidades.

O despacho do ministro foi embasado em vídeo que circula nas redes sociais, no qual um dos organizadores da caravana bolsonarista distribui camisetas e notas de cem reais aos apoiadores que compareceram aos atos em São Paulo. Salomão avalia que, a partir da coleta de provas, é possível enquadrar a prática no rol do inquérito administrativo que mira crimes de abuso de poder econômico e político. Além de Bolsonaro, outras autoridades são investigadas em caráter sigiloso.

O mandato do ministro Salomão no TSE chega ao fim no final do mês de outubro, por isso ele tem intensificado as ações contra os difusores de notícias falsas e autoridades sob a mira do inquérito administrativo.

Em agosto, logo após a abertura do inquérito, Salomão suspendeu a monetização dos canais do presidente Jair Bolsonaro, de seus filhos Carlos (Republicanos-RJ), Flávio (Patriota-RJ) e Eduardo (PSL-SP), assim como os de outros quatro deputados federais e influenciadores bolsonaristas nas redes sociais. Com apoio da Polícia Federal, o corregedor identificou uma lista de perfis envolvidos com a divulgação de notícias falsas e que tinham como único objetivo ganhar dinheiro a partir de repasses feitos pelas empresas de tecnologia.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.