TSE deve chamar operadores de propinas da Odebrecht para depor na ação contra chapa Dilma/Temer

TSE deve chamar operadores de propinas da Odebrecht para depor na ação contra chapa Dilma/Temer

Hilberto Silva, citado pelo empresário Marcelo Odebrecht, e Luiz Soares davam fluxo aos repasses ilícitos da empreiteira

Ricardo Galhardo, enviado especial a Curitiba, Mateus Coutinho e Julia Affonso

02 Março 2017 | 11h54

Marcelo Bahia Odebrecht, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro

Marcelo Bahia Odebrecht, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro

Os executivos Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e Luiz Eduardo Soares, que atuavam no departamento de propinas da Odebrecht, também devem ser ouvidos na ação judicial eleitoral que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, eleita em 2014. Os nomes dos dois foram citados no depoimento de cerca de 4 horas do ex-presidente da Odebrecht e delator Marcelo Odebrecht nesta quarta-feira, 1.

Com isso, serão sete delatores da empreiteira a serem ouvidos na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), em curso no Tribunal Superior Eleitoral, aberta a pedido do PSDB contra a chapa Dilma/Temer.

A ação pode levar à perda de mandato do presidente Michel Temer (PMDB).

Nesta quinta, 2, serão ouvidos Benedicto Junior e Fernando Reis, e na próxima segunda-feira, 6, Cláudio Melo Filho e Alexandrino de Salles Ramos de Alencar.

Segundo Marcelo Odebrecht, quando os ex-ministros da Fazenda de Dilma, Guido Mantega e Antonio Palocci, solicitavam recursos para a empreiteira, acertados previamente com ele, o pedido era encaminhado para Hilberto, líder do departamento de propinas e responsável por operacionalizar os repasses.

Com essa e outras citações aos executivos, tanto a defesa de Dilma quanto a de Temer concordaram que os dois devem ser ouvidos também na ação. Ainda não há, contudo, data marcada para o depoimento de Hilberto e Soares.

Hilberto era o líder do Setor de Operações Estruturadas – nome oficial do departamento responsável pelos pagamentos ilícitos do Grupo Odebrecht. Era ele quem dava a ordem sobre a realização dos pagamentos, registrados na contabilidade paralela da empreiteira por meio de codinomes e apelidos para se referir a políticos e operadores responsáveis pelas transações que ocorriam tanto no Brasil quanto no exterior.

Tanto ele quanto Luiz Eduardo Soares já são investigados em primeira instância na Lava Jato em Curitiba e apontados como responsáveis por controlar também pagamentos da empreiteira do exterior via offshores. Abaixo de Hilberto na hierarquia do setor, Luiz Eduardo Soares era responsável por receber pedidos de líderes empresariais e diretores de todos os braços da Odebrecht para operacionalização de pagamento de propina, vinculados à obtenção de obras públicas pela empreiteira, em contas no exterior.

A sistemática do departamento da propina foi descoberta pela Lava Jato a partir da delação da secretária do Setor de Operações Estruturadas Maria Lúcia Tavares, primeira funcionária da Odebrecht a colaborar com as investigações. Desde então, a Lava Jato vem avançando sobre as irregularidades do grupo empresarial, e fechou o maior acordo de colaboração da história, envolvendo inclusive outros países como EUA e Suíça e que implica centenas de políticos no Brasil e na América Latina.

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