Trump e Biden: nada se cria nas eleições americanas

Trump e Biden: nada se cria nas eleições americanas

Leonardo Freitas*

04 de novembro de 2020 | 06h15

Leonardo Freitas. FOTO: DIVULGAÇÃO

Podemos afirmar que as eleições são praticamente iguais em qualquer parte deste mundo; exceto em países não democráticos. A única situação que muda numa corrida eleitoral é o idioma, porque, de resto, as relações de poder se mantêm nos mesmos patamares de desejo.

Vejamos. Muitos imaginam que o Brasil é o celeiro desta vontade doentia de se perpetuar no poder que está intimamente ligada ao dinheiro. Agora vem a pergunta: E se este mesmo jogo acontecesse num ambiente de muita riqueza como os Estados Unidos da América? Você automaticamente, e sem muito esforço, terá a certeza absoluta de que a força centrífuga e centrípeta se tornam mil vezes maiores nesta realidade aumentada da América do Norte.

Há poucas semanas, o presidente Donald Trump indicou a mais nova juíza para a Suprema Corte dos EUA, Amy Coney Barret. A denominada ultraconservadora promete mudar o eixo deixado pela já saudosa Ruth Bader Ginsburg, que de forma lastimável nem mesmo deixaram esfriar no devido leito de morte. Absurdamente, essas são atitudes típicas da política rasteira e baixa relatadas logo no início. É bom avisar e repetir como mantra que isso não é uma exclusividade da direita e nem mesmo da esquerda. A política é assim. O que importa é o “meu”, o “seu” costuma ficar para depois.

Constatamos, neste movimento “trumpista”, a intenção apressada de ofuscar os problemas gerados pelo próprio governo Trump ao desconsiderar a pandemia mundial. Problemas esses que têm dificultado a campanha do presidente americano à reeleição. Não é à toa que ele está em segundo lugar em todas as pesquisas de intenção de votos.

Sabemos que a aprovação do nome da juíza Barret depende do aval do Senado, mas pela contagem dos votos no congresso, a cadeira para o assento da ultraconservadora é mais certa que o nascer do sol. Trump tem a benção da maioria formada pelos republicanos, é claro.

Outro ponto que o atual presidente se ancora para esta indicação é o fato dele já demonstrar a intenção de judicializar o resultado das eleições; caso perca nas urnas. Evidente! Mas, o que nos faz entender desta forma é nada mais e nada menos de Trump já dizer que não confia no processo de votos realizados pelos americanos nos correios. Mesmo sendo um procedimento tradicional nos EUA – o próprio “dono dos correios” – ele, Trump, não acredita na idoneidade dos funcionários dele.

Talvez esteja faltando ao presidente americano ser um chefe “bonzinho”, e colocando isso em dúvida, ele acabe reconhecendo que ele mesmo não é tão perfeito como imagina ser na gestão do serviço público. Tiro no pé, com perdão às armas.

E onde entra então a mais nova juíza da corte americana? Entra justamente neste momento de judicialização do resultado negativo que o presidente Donald Trump pode ter ao abrir as urnas. O que o “laranjão”, como é chamado pela oposição, está fazendo é garantir pelo menos um voto forte na Suprema Corte ao seu favor. Este voto pelo menos tem garantido.

Há alguns dias, ao ser perguntado sobre o clima de uma possível transição de governo ao Biden, o presidente na Casa Branca desconversou. Fica aí, portanto, aquele típico e comum ditado brasileiro: “Quem cala, consente”. Será?

Parece mesmo que estas histórias de novelas mexicanas são verdadeiras cópias da realidade. E, por falar em latinos, hoje vemos o quanto os dois candidatos Joe Biden e Donald Trump disputam no tapa os mais de 32 milhões de votos destes imigrantes em solo americano. A Flórida hoje virou um dos estados mais visitados pelos dois presidenciáveis, e inclusive, será palco de um dos maiores debates eleitorais televisionados do país.

Vejam só como o mundo dá as suas voltas a uma velocidade da luz. Ontem, estes mesmos hispanos eram os excluídos da política imigratória; mas hoje são os mais queridinhos pelos chefes dos delegados partidários. Quem te viu e quem te vê; ou melhor: Who would have thought?

*Leonardo Freitas, CEO da HAYMAN-WOODWARD

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