Tribunal nega habeas e mantém Zelada preso

Em análise de mérito, relator da Lava Jato no TRF4 diz que ex-diretor de Internacional da Petrobrás que depositou quase onze milhões de euros em conta secreta no Principado de Mônaco tinha 'posição de preponderância' no grupo que promoveu fraudes e desvios na estatal

Redação

12 de agosto de 2015 | 19h47

Jorge Zelada após ser preso no início de julho. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Jorge Zelada foi preso no início de julho. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) negou habeas corpus para o ex-diretor de Internacional da Petrobrás, Jorge Luiz Zelada, preso sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. A decisão, nesta quarta-feira, 12, mantém Zelada na prisão e foi tomada por unanimidade pela 8ª Turma do TRF4. Para o relator da Operação Lava Jato na Corte, desembargador João Pedro Gebran Neto, o ex-diretor da estatal ‘é um dos investigados com posição de preponderância no grupo, sendo necessária a manutenção da prisão preventiva’.

O desembargador avalia que ‘o risco de reiteração criminosa é concreto, visto que o ex-diretor movimentou grandes quantias da Suíça para Mônaco em momento em que a Operação Lava Jato já era notória’. Gebran ressaltou que a conduta de Zelada ‘demonstra não só a indiferença perante o Direito, mas também revela maior risco à ordem pública’.

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Zelada está preso desde o dia 2 de julho. A detenção fez parte da 15.ª fase da Operação Lava Jato. Ele é acusado de tentar ocultar valores desviados. Entre julho e agosto de 2014, Zelada transferiu o equivalente a R$ 25 milhões de contas secretas na Suíça para o Principado de Mônaco.

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A defesa do executivo argumentou perante o TRF4 que as informações de Mônaco são conhecidas pelas autoridades desde fevereiro de 2015. A defesa de Zelada afirma que não houve reiteração delitiva que justificasse a medida cautelar decretada em julho.

Ao votar pela rejeição ao habeas corpus de Zelada, o relator Gebran Neto, responsável pelas ações da Lava Jato no tribunal, anotou que o acusado ‘tinha uma conduta bastante semelhante a de outros diretores da Petrobrás investigados’ – como Nestor Cerveró (antecessor de Zelada) e Renato Duque (ex-diretor de Serviços), ‘recebendo a propina das empreiteiras e negociando diretamente o ganho junto a algumas empresas com contratos menores’.

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