Tribunal misto aprova processo de impeachment contra Witzel

Tribunal misto aprova processo de impeachment contra Witzel

Colegiado formado por desembargadores e deputados referendou nesta quinta-feira, 5, abertura do processo, aprovado pela Assembleia Legislativa, contra o governador afastado do Rio

Marcio Dolzan / RIO

05 de novembro de 2020 | 10h55

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Foto: Wilton Júnior / Estadão

O Tribunal Especial Misto (TEM) decidiu acatar o pedido de abertura de processo de impeachment do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC). Afastado desde o fim de agosto do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Witzel agora também está impedido provisoriamente de governar por decisão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Formado por cinco desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio e cinco deputados estaduais, o TEM referendou decisão da Alerj. A confirmação aconteceu no início da tarde, quando a votação alcançou seis votos a zero – era necessária maioria simples.

Agora, uma nova fase do processo é aberta. Witzel terá 20 dias para se defender a partir da publicação do acórdão. A partir daí, novas sessões serão marcadas, para a apresentação de provas e oitivas de testemunhas. Assim, a previsão é de que uma decisão sobre o afastamento definitivo de Witzel ou não seja conhecida apenas em janeiro de 2021.

Na sessão desta quinta, a defesa do governador argumentou que as duas ações que embasaram o suposto crime de responsabilidade de Witzel não se sustentavam. Elas envolviam contratos com as Organizações Sociais Iabas e Unir Saúde. O envolvimento de Witzel em irregularidades com a primeira não teria sido comprovado, e a requalificação da segunda teria sido uma decisão de governo no âmbito da pandemia – e portanto, passível apenas de discussão se boa ou ruim.

“O governador Wilson Witzel era magistrado, atuou por 17 anos na área. Seu patrimônio é um apartamento no Grajaú. Witzel não teve descoberto (durante as investigações) nenhum bem que não estivesse declarado no imposto de renda”, argumentou José Roberto Sampaio, um de seus defensores. “O Rio de Janeiro tem 92 municípios e um orçamento de R$ 90 bilhões. O governador não tem como saber tudo o que acontece (entre seus subordinados).”

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