Tribunal mantém fiança de R$ 7,2 milhões para doleiro da Lava Jato

Mateus Coutinho

29 de abril de 2014 | 07h21

Raul Srour, alvo da Polícia Federal, é acusado de envolvimento no esquema de lavagem de R$ 10 bilhões

por Fausto Macedo

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) negou liminar ao pedido do doleiro Raul Henrique Sour, alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que pretendia reduzir o valor da fiança de R$ 7,2 milhões imposto a ele pela Justiça Federal em troca do benefício da liberdade provisória.

Raul Srour foi preso no dia 17 de março pela PF. A Procuradoria da República imputa ao doleiro envolvimento direto com um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter alcançado R$ 10 bilhões.

Na semana passada, a Justiça Federal no Paraná decidiu substituir o decreto de prisão preventiva pela fiança e mais uma série de restrições.

A fiança serve para garantir o futuro pagamento de multa e a reparação de danos. Para a Justiça, a fiança nesse valor é relevante porque retira “do acusado os meios para a continuidade da prática dos crimes”.

“A exigência de fiança comprometerá a sua liquidez no mercado de câmbio negro e funcionará como elemento inibitório da prática de novos crimes”, considera a Justiça.

A fiança foi fixada em 200 salários mínimos, valor multiplicado por 50, resultando em R$ 7,2 milhões – quantia a ser paga em dinheiro.

A Justiça proibiu Raul Sour de prosseguir na gestão da Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Districash. No prazo de 30 dias, ele deverá contratar profissional e gestor com reputação ilibada e idônea para substituí-lo na empresa.
Por meio de habeas corpus, a defesa do doleiro pediu a redução do valor da fiança.

Segundo a defesa, o “elevado valor fixado inviabiliza o direito à liberdade e deve ser reduzido”. Os advogados de Raul Srour sustentam, ainda, que “a fixação de valor desta monta em dinheiro adquire caráter compensatório inerente às condenações definitivas, não às fianças”.

O desembargador João Pedro Gebran Neto, do TRF4, negou o pedido de liminar e pediu informações à Justiça Federal do Paraná.

 

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