Tribunal mantém condenação de ex-prefeito de Marília por fazer dívidas que não podia honrar

Tribunal mantém condenação de ex-prefeito de Marília por fazer dívidas que não podia honrar

Desembargadores da 11.ª Câmara de Direito Público do TJ/São Paulo impõem a Mário Bulgareli suspensão dos direitos políticos por três anos e pagamento de multa no valor de duas vezes sua remuneração como chefe do executivo do município do interior paulista

Marina Dayrell

25 de fevereiro de 2019 | 14h12

Foto: Tribunal de Justiça de São Paulo

Os desembargadores da 11.ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado decidiram manter a sentença da 3.ª Vara Cível de Marília (SP) que condenou o ex-prefeito Mário Bulgareli por improbidade administrativa.

Documento

O Tribunal impôs a Bulgareli perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por três anos e pagamento de multa no valor de duas vezes a remuneração do cargo de prefeito à época dos fatos, além da proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios, investimentos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, também pelo prazo de três anos.

A ação foi ajuizada pelo Ministério Público do Estado sob a alegação de que, em 2008, seu último ano de mandato, Bulgareli teria contraído dívidas que não podiam ser cumpridas integralmente naquele exercício financeiro.

Segundo a Promotoria, o então prefeito também teria aberto créditos adicionais no valor de R$ 24.644.846,25 sem recursos disponíveis.

Em sua decisão, o desembargador Arioldo Viotti afirmou que as provas produzidas nos autos ‘caracterizam o dolo de Bulgareli’ e negou provimento ao recurso.

“Houve, assim, deliberada violação à Lei da Responsabilidade Fiscal e à Lei Orçamentária, achando-se configurado ato de improbidade administrativa tipificado no artigo 11, “caput”, da Lei de Improbidade Administrativa”, afirma o magistrado.

“O comportamento apurado demonstrou dolo e descaso pelo cumprimento da lei, não sendo caso de abrandamento das penas”, decidiu Arioldo Viotti.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem entrou em contato com a defesa de Mário Bulgareli, mas não obteve retorno. O espaço está aberto para manifestação.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: