Tribunal mantém ação contra Gerson Almada por improbidade

Tribunal mantém ação contra Gerson Almada por improbidade

Corte federal nega recurso do ex-vice-presidente da Engevix - condenado na Lava Jato a 19 anos de prisão -, em processo movido pela Advocacia-Geral da União

Luiz Vassallo e Julia Affonso

08 de maio de 2017 | 18h44

Gérson Almada, sócio da Engevix, que confirmou pagamentos a lobista em contratos da Sete Brasil Foto: Carol Carquejeiro/Valor

A 3.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) negou recurso do ex-vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada, e manteve em curso ação por improbidade administrativa movida pela União contra o executivo. O julgamento tem natureza cível e confirmou decisão liminar dada em novembro do ano passado pelo desembargador federal Fernando Quadros da Silva, relator.

A ação foi movida pela Advocacia-Geral da União (AGU) em março de 2016. Conforme a AGU, existe interesse da União no ressarcimento integral dos danos causados ao seu patrimônio pelos réus da Operação Lava Jato.

O executivo foi condenado criminalmente pelo juiz Sérgio Moro a 19 anos de reclusão, em dezembro de 2016, por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A defesa de Gerson Almada alega que a União não tem legitimidade para propor a ação e que ele não teve participação nos atos apontados como ímprobos pela AGU.

Para o relator, ‘não existem dúvidas que o dano considerado na petição inicial atingiu a coletividade de maneira geral, tendo ocorrido simultaneamente em relação a todos os brasileiros, atingindo sobremaneira os cofres públicos federais, contribuindo para a deterioração do patrimônio federal’.

Fernando Quadros da Silva apontou em seu voto que a União é acionista majoritária da Petrobrás e conta com a maior parte do capital social. “É inegável seu interesse jurídico direto, apto a autorizar a legitimação ativa para a causa””, ressaltou.

O desembargador observou que existe ‘prova robusta da conduta ímproba’.

“Verificado existirem indícios relevantes da existência do esquema relatado na petição inicial e da forma de sua operação, não se pode falar nem na inexistência do ato de improbidade nem na improcedência da ação”, concluiu Quadros da Silva.

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