Tribunal manda soltar Manoel Del Rio

Suplente do PT na Câmara Municipal de São Paulo havia sido preso em investigações que envolvem movimentos de moradia

Luiz Vassallo

20 de setembro de 2019 | 22h49

Os desembargadores da 14ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo determinaram a soltura do advogado Manoel Del Rio Blas, suplente do PT na Câmara Municipal de São Paulo. Ele havia sido preso em investigação sobre suposta atuação em crimes de extorsão e organização criminosa no âmbito de movimentos de moradia popular, na capital paulista.

“Não há elementos críveis, concretos e atuais de quaisquer ameaças que sequer poderiam ser realizadas por uma pessoa pública de 72 anos de idade”, afirma seu advogado Octavio Orzari, do escritório Machado de Almeida Castro e Orzari Advogados.

No lugar da prisão, os magistrado impuseram outras medidas cautelares, como o comparecimento mensal em juízo, proibição de frequentar locais de ocupação dos movimentos sociais, além da proibição de manter contato com outros investigados, supostas vítimas e testemunhas. A ele, também foi imposto o recolhimento domiciliar noturno.

Del Rio chegou a assumir, por um mês, em 2018, a vaga na Câmara, com a licença de Antonio Donato, da mesma sigla. ‘A cidade de São Paulo tem desequilíbrio social muito forte. Trabalho para corrigir ou amenizar essa desigualdade”, disse, na ocasião.

Na decisão da juíza Erica Soares de Azevedo Mascarenhas, da 6.ª Vara Criminal, que mandou prender Del Rio, consta que uma testemunha protegida teria sido por ele ameaçada. Erica registra que Del Rio era o ‘articulador político, comparecia em épocas de eleições nas invasões irregulares e determinava em quais candidatos os moradores deveriam votar’.

A defesa ressaltou aos desembargadores que, em junho, a polícia pediu a prisão de investigados, entre eles Del Rio.

Após a Justiça, inicialmente, rejeitar o pedido em relação ao suplente de vereador, uma das testemunhas voltou a prestar depoimento e o teria acusado de ameaçá-la em 2015, segundo relata a defesa.

“De fato, a única “novidade” apresentada por ALPHA 4 são fatos extemporâneos, ocorridos em 2015, há quatro anos, e que, portanto, não podem justificar uma prisão hoje”, ressaltaram os advogados.

Os advogados ressaltam ainda que a testemunha Alpha 4 ‘inovou’ em depoimento, já que, em seu primeiro testemunho, em 2018, não teria citado Del Rio.

 

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