Tribunal manda prender pai de santo que fazia carícias e beijava as mulheres

Tribunal manda prender pai de santo que fazia carícias e beijava as mulheres

2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina levou em conta posição de autoridade como guia espiritual para decretar a prisão

Pepita Ortega e Pedro Prata

15 de outubro de 2019 | 17h09

A 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina decretou a prisão preventiva de um pai de santo e guia espiritual suspeito de abusos sexuais e violência durante as sessões na Grande Florianópolis. Seis mulheres já denunciaram o homem.

“As particularidades do processo, em especial a gravidade das condutas praticadas e o risco de reiteração delitiva, tendo em vista a manipulação praticada contra diversas vítimas para que elas se submetessem aos abusos sexuais sem resistência, acreditando na sua autoridade como guia espiritual, são aspectos suficientes para que se determine sua prisão como garantia da ordem pública”, decidiu a desembargadora Salete Silva Sommariva, relatora.

Chakras são pontos de energia do corpo. Foto: Pixabay/@Activedia

As informações são disponibilizadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. O processo corre em segredo de justiça.

“O pedido do Ministério Público foi aceito em razão da necessidade de garantia da ordem pública e da instrução criminal.”

Mulheres com problemas emocionais procuravam o pai de santo em busca de tratamento espiritual. O suposto mentor religioso utilizava uma solução, provavelmente feita de ervas e cachaça, para massagear o corpo das vítimas e, assim, ‘abrir os chakras das vítimas’.

Chakras são pontos de energia do corpo.

“Além de acariciá-las, ele roubava beijos e tentava fazer sexo com as mulheres. Algumas foram abusadas ao lado dos maridos, que permaneciam rezando de olhos fechados”, afirma a assessoria de comunicação do Tribunal.

O suposto mentor religioso utilizava uma solução, provavelmente feita de ervas e cachaça, para massagear o corpo das vítimas. Foto: Pixabay/@whitesession

O pai de santo usava uma rede social de mensagens para assediar as vítimas. Ele pedia fotos e perguntava sobre as intimidades das mulheres. Algumas delas chegaram a tentar o suicídio.

A sessão foi presidida pelo desembargador Norival Acácio Engel e dela também participaram os desembargadores Sérgio Rizelo e Volnei Celso Tomazini. A decisão foi unânime.

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