Tribunal manda indenizar professora ‘achacada’ por alunos no Paraná

Ministros da Corte Superior do Trabalho rejeitam recurso da Associação Paranaense de Cultura e mantém pagamento de R$ 9 mil a docente de Engenharia Ambiental que alegou ter sido submetida a 'situação constrangedora e vexatória' durante reunião com estudantes

Luiz Vassallo

14 Dezembro 2017 | 08h09

Os ministros da Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) rejeitaram recurso de revista da Associação Paranaense de Cultura (APC), em que a entidade buscava afastar condenação de R$ 9 mil por danos morais causados a uma professora em reunião de avaliação dos educadores, com participação dos alunos. Testemunhas confirmaram que o sistema ‘Falando Francamente’, que acontecia uma vez por semestre, ‘expunha os professores a situações constrangedoras’.

As informações foram divulgadas no site do TST – Processo: RR – 2328100-98.2007.5.09.0012

Segundo a professora – de Engenharia Ambiental -, o diretor do curso adotou, para fins de avaliação da qualificação profissional dos docentes, procedimento que motivou ofensas públicas verbais por parte dos alunos.

A autora da ação relatou que os professores ficavam no palco e eram avaliados pelos alunos, cerca de 200, na plateia, apresentando suas opiniões a respeito de cada educador.

Ela narrou que vários docentes foram ‘achacados’ e que, em uma das reuniões, um aluno levantou-se e reivindicou a saída dela. “Foi uma situação absolutamente constrangedora e vexatória”, afirmou. Ela pediu indenização por dano moral.

O juízo de primeiro grau deferiu o pagamento de indenização de R$ 9 mil. A Associação Paranaense de Cultura recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), que manteve a sentença.

O TRT destacou que as três testemunhas ouvidas, tanto da professora como da instituição, comprovaram que as reuniões eram constrangedoras e, principalmente, que o ocorrido com a profissional gerou muitos comentários.

A primeira testemunha da professora afirmou que depois do episódio ‘não se falava em outra coisa’. Disse também que os colegas de trabalho se sentiram constrangidos e discutiram o assunto em reunião semanal com o colegiado do curso, e decidiram que a partir dali os alunos ‘só poderiam se manifestar por escrito, o que foi respeitado’.

No recurso ao Tribunal Superior do Trabalho a associação paranaense argumentou que a ofensa não partiu da instituição, mas de um aluno.

A Associação entende que não pode responder por uma conduta que não é sua ‘tampouco de prepostos, mas de um terceiro’.

A APC baseou o apelo em divergência jurisprudencial e em violação dos artigos 818 da CLT e 333, inciso I, do CPC.

Relator do processo, o ministro Hugo Carlos Scheuermann avaliou que não havia condições de conhecimento do recurso de revista, ou seja, não haveria possibilidade de examinar o mérito da questão.

De acordo com o ministro, a sistemática de repartição do ônus da prova, em que se baseou o recurso, incide apenas nos casos em que não se produziu prova ou essa se revelou insuficiente para formar o convencimento do juiz.

Na situação específica, porém, o Tribunal Regional reconheceu a existência do dano moral não a partir da análise do ônus probatório, mas a partir da prova efetivamente produzida. Por isso, concluiu ser ‘logicamente inconcebível a vulneração dos artigos 818 da CLT e 333, I, do CPC’.

Quanto à divergência jurisprudencial, Scheuermann salientou que eram inespecíficos os julgados apresentados para comparação, ‘pois não trazem premissa semelhante ao caso dos autos, em que ficou constatada a existência do ato ilícito e do dano moral, incidindo, assim, a barreira da Súmula 296 do TST’.

Diante da fundamentação do relator, a Primeira Turma não conheceu do recurso de revista da empregadora.

COM A PALAVRA, A ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE CULTURA

A reportagem tentou contato com a defesa e com a Associação. O espaço está aberto para manifestação.

Nos autos do recurso ao Tribunal Superior do Trabalho, a associação paranaense argumentou que a ofensa não partiu da instituição, mas de um aluno.

A Associação entende que não pode responder por uma conduta que não é sua ‘tampouco de prepostos, mas de um terceiro’.
A APC baseou o apelo em divergência jurisprudencial e em violação dos artigos 818 da CLT e 333, inciso I, do CPC.