Tribunal de Contas manda abrir sindicância contra filho ‘fantasma’ de Maranhão

Tribunal de Contas manda abrir sindicância contra filho ‘fantasma’ de Maranhão

Thiago Maranhão, médico em hospitais do Rio e de São Paulo, ocupava cargo em comissão na Corte de Contas em São Luís

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

10 de maio de 2016 | 13h28

Thiago Maranhão. Foto: Divulgação/Facebook

Thiago Maranhão. Foto: Divulgação/Facebook

O presidente do Tribunal de Contas do Maranhão, João Jorge Jinkings Pavão, mandou abrir uma sindicância para investigar o filho do presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), Thiago Augusto Azevedo Maranhão Cardoso. No mesmo despacho, o presidente do TCE exonerou do cargo em comissão de Assessor de Conselheiro.

Thiago Augusto Maranhão é médico e mora em São Paulo. Ele recebia R$6,5 mil líquido por mês pelo cargo que não exercia no Tribunal.

João Jorge Jinkings Pavão decidiu. “Trata-se de comunicação efetuada pelo Conselheiro Edrmar Serra Cutrim, quanto a supostas irregularidades que teriam sido cometidas pelo servidor Thiago Augusto Azevedo Maranhão Cardoso, sugerindo a imediata exoneração do referido servidor além da abertura de processo administrativo para a apuração dos fatos. Assim, diante do faro ora noticiado, determino: a) que se proceda a imediata exoneração do servidor Thiago Augusto Azevedo Maranhão Cardoso, matrícula nº 9860, do cargo em comissão de Assessor de Conselheiro, a partir da presente data; b) a abertura de processo de sindicância para a apuração dos fatos.”

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O pai de Thiago, deputado Waldir Maranhão assumiu a presidência da Câmara após o Supremo Tribunal Federal afastar o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da liderança da Casa. Na manhã desta segunda-feira, Waldir Maranhão anulou três sessões da Câmara em que tramitaram o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). No fim da noite, o deputado desistiu de sua determinação para anular o afastamento da petista.

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De acordo com o portal da transparência do TCE-MA, Thiago Maranhão, estava nomeado como assessor de conselheiro com a simbologia TC-04, o que garantia uma remuneração de R$7,5 mil, mas com os descontos, o valor final ficava em R$6529,85. O filho do presidente interino da Câmara Federal era lotado no gabinete do ex-presidente do órgão, Edmar Cutrim, histórico aliado da família Sarney.

Ocorre que Thiago Maranhão trabalha em hospitais e cursa pós-graduação na cidade de São Paulo (SP). O TCE não informa desde quando o médico está nomeado, mas informações obtidas através do seu currículo acadêmico apontam que ele já era funcionário do órgão desde a época que fazia residência médica na cidade do Rio de Janeiro.