TCE-SP faz mais de 70 perguntas ao Metrô sobre problemas nas obras de R$ 3,1 bi da Linha 17 do Monotrilho

TCE-SP faz mais de 70 perguntas ao Metrô sobre problemas nas obras de R$ 3,1 bi da Linha 17 do Monotrilho

Prevista inicialmente para a Copa do Mundo, obra que ligaria a Estação Jabaquara ao Morumbi acumula problemas e alterações e não tem mais previsão para ser concluída

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

10 Agosto 2016 | 13h33

SP - OBRAS MONOTRILHO DA LINHA 17-OURO - GERAL - Operários trabalham nas obras do monotrilho da Linha 17-Ouro ao lado do Aeroporto de Congonhas, que liga o aeroporto ao bairro do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo (SP), na manhã desta quarta-feira (22). As obras foram retomadas na segunda-feira (20). A construção das estações estava paralisada desde o ano passado e os canteiros ficaram abandonados, cheios de lixo e usuários de drogas. 22/06/2016 - Foto: RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS

Operários trabalham nas obras do monotrilho da Linha 17-Ouro ao lado do Aeroporto de Congonhas. Foto: RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS

O conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo, Antônio Roque Citadini, deu trinta dias para que a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) responda a 70 questionamentos sobre os atrasos e alterações de preço das obras da Linha 17 – Ouro do Monotrilho de São Paulo, prevista inicialmente para a Copa do Mundo de 2014 ao valor de R$ 1,7 bilhão com aditivos e que atualmente já não tem mais previsão para ser entregue, e já está com o valor estipulado em R$ 3,17 bilhões, sem incluir a construção das estações .

Para Citadini, diante de tantos problemas apontados, sobretudo no reajuste de preços e nas alterações do projeto, muitas delas sem previsão de conclusão, será necessário “uma completa revisão de todo o empreendimento, que passará pela reavaliação do Convênio com a Prefeitura de São Paulo, a eventual (e provável) necessidade de rescisão do presente contrato, implicando em nova licitação.”

“Considerando que um empreendimento de tal envergadura e importância deve ser tratado com respeito ao erário e à população contribuinte, determino ao Metrô que informe qual a real projeção para que a Linha 17 entre em pleno funcionamento, considerando todos os entraves existentes (o que, obviamente, implicará em medidas efetivas da parte do Governo do Estado e do próprio METRÔ), não sendo aceitáveis respostas que transfiram a terceiros as responsabilidades da Companhia”, afirmou o conselheiro em despacho publicado nesta quarta no Diário Oficial.

A Linha 17-Ouro originalmente tinha previsão de alcançar 18 quilômetros de extensão. Ligaria a Estação Jabaquara, da Linha 1-Azul do Metrô, na zona sul, à Estação São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela, na zona oeste – passando, no percurso, por Congonhas e pelas Linhas 5-Lilás (em obras) e 9-Esmeralda (da CPTM).

O Estado revisou a promessa, cancelando metade do ramal em dezembro. Agora, o único trecho previsto para sair do papel é entre Congonhas e a Marginal do Pinheiros, sem conexão com nenhum outro ramal metroferroviário, ao menos até a conclusão da Linha Lilás.

Em junho deste ano, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou a retomada das obras da Linha 17,  suspensas em janeiro após desentendimentos entre o Metrô e as empreiteiras encarregadas pelo empreendimentoa. “Já estamos hoje com cem trabalhadores”, disse o tucano na ocasião, referindo-se a um lote de obras que prevê três estações – Campo Belo, Vila Cordeiro e Chucri Zaidan.

A construção da linha é dividida em quatro contratos. Um deles é das vigas, trens e sistemas, assinado com um consórcio liderado pelas empresas Andrade Gutierrez (obras) e Scomi (trens). Dois dos contratos vão para a construção das estações. O quarto é do Pátio de Manobras Água Espraiada. Apenas o primeiro lote, com as Estações Congonhas, Jardim Aeroporto, Brooklin Paulista e Vereador José Diniz, não sofreu paralisações até agora.

COM A PALAVRA, O METRÔ:

“O Metrô prestará todos os esclarecimentos necessários ao Tribunal de Contas do Estado dentro do prazo estabelecido. A execução dos contratos para construção da Linha 17, bem como o processo licitatório, foi realizada de acordo a legislação vigente.

A companhia esclarece que em razão do descumprimento contratual por parte consórcios Monotrilho Pátio e Monotrilho Estações (formados pelas empresas Andrade Gutierrez e CR Almeida), que paralisaram as obras para a construção do pátio e de quatro estações da Linha 17, o acordo foi rescindido no final do ano passado.

As obras das quatro estações já foram retomadas com a assinatura do contrato com o Consórcio TIDP (TIISA-Infraestrutura e Investimentos S/A e DP Barros Pavimentação e Construção LTDA), em maio. O acordo para a construção do pátio de manobras deverá ser firmado até o fim do mês com o Consórcio formado pelas empresas TIISA-Infraestrutura e Investimentos S/A, Construtora Triunfo S/A e DP Barros Pavimentação e Construção LTDA.

Quanto à execução das obras do Monotrilho, que incluem sistemas, trens e vias, as empresas Andrade Gutierrez e CR Almeida retomarão os serviços no âmbito do contrato, independentemente do acordo que está em análise na Justiça.”