Tribunal da OAB abre processo contra advogado preso na Lava Jato

Tribunal da OAB abre processo contra advogado preso na Lava Jato

Acusado de prejudicar a operação, Edson Ribeiro teve inscrição suspensa por 90 dias, período em que correrá o procedimento administrativo contra ele

Mateus Coutinho

04 de dezembro de 2015 | 15h39

RJ - PRISÃO EDSON RIBEIRO/PF - GERAL - Edson Ribeiro, advogado do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, preso na manhã desta sexta-feira (27) no Aeroporto Tom Jobim, Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ), logo após chegar de um voo de Miami (EUA), chega à Superintendência da Polícia Federal, na Zona Portuária. Segundo a Procuradoria Geral da República, Ribeiro fez parte do esquema para tentar interferir nas investigações da Operação Lava Jato. 27/11/2015 - Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O advogado Edson Ribeiro, preso pela Lava Jato. Foto: José Lucena/Futura Press

Por 23 votos a 21, o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB do Rio de Janeiro decidiu em sessão nesta quinta-feira, 3, suspender preventivamente por 90 dias a inscrição do advogado Edson Ribeiro, preso no fim de novembro pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Com a decisão, o processo administrativo que pode levar à cassação do direito de advogar de Ribeiro começou oficialmente.

Na sexta-feira, 27, quando o advogado foi preso pela Polícia Federal ao desembarcar no Brasil, o presidente da seccional da Ordem no Rio Felipe Santa Cruz já havia determinado a suspensão, ainda sem prazo. Com a decisão do Tribunal referendando a medida, começa a contar o prazo de 90 dias do processo administrativo contra o advogado. O procedimento corre em sigilo e além dele Edson Ribeiro também responde a um procedimento ético disciplinar na OAB do Distrito Federal já que alguns encontros de Ribeiro com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) para tentar prejudicar a Lava Jato aconteceram na capital federal.

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Para o advogado Claudio Serpa, que representa Ribeiro no processo administrativo, as acusações contra ele são “completamente infundadas”. “A relação entre advogado e cliente não pode ser gravada, tem instrumentos no Código de Ética (da OAB) que não permite que seja gravada a reunião, e também no conteúdo da gravação não há nenhuma pratica de crime”, afirma.

Segundo Serpa, o caso mobilizou vários advogados criminalistas no Rio que se solidarizaram com a situação de Ribeiro. O defensor, contudo, não quis comentar a decisão do Tribunal de Ética.

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