Tribunal da Lava Jato nega devolver passaporte a publicitário que delatou Bendine

Tribunal da Lava Jato nega devolver passaporte a publicitário que delatou Bendine

Desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região negaram habeas corpus a André Gustavo Vieira da Silva, condenado a cinco anos e nove meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Redação

30 de outubro de 2020 | 08h22

Bendine e André Gustavo Vieira da Silva. Foto: Reprodução de vídeos da Justiça Federal do Paraná

Os desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região negaram nesta quarta, 28, um habeas corpus em que o publicitário André Gustavo Vieira da Silva, condenado a cinco anos e nove meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato, pedia a restituição de seu passaporte dele e defendia seu direito de viajar para fora do país.

Na avaliação do colegiado, a proibição de deixar o Brasil, imposta quanto o publicitário que delatou o ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine foi condenado, é legal e necessária para garantir a aplicação da lei penal.

A sentença condenatória dada em maio pelo juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba atingiu ainda Bendine e o ex-executivo da Odebrecht Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis.

As informações foram divulgadas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Ao TRF-4, a defesa do publicitário questionou a medida de apreensão do passaporte que foi aplicada contra ele em substituição a prisão.

Os advogados argumentaram que André foi colaborador durante a instrução criminal do caso e que ele não ofereceria risco de fuga. Eles ainda sustentaram que a retenção do passaporte estaria impedindo o publicitário de obter um novo emprego em Portugal e que a medida afrontava o direito constitucional de ir e vir.

No entanto, na avaliação do relator do habeas corpus, desembargador federal João Pedro Gebran Neto, a proibição de deixar o Brasil, ‘embora represente incômodo ao paciente, mostra-se absolutamente proporcional à natureza dos crimes pelos quais foi condenado’.

Em seu voto, Gebran ainda apontou que a defesa não apresentou provas de que ele realmente esteja buscando emprego em Portugal.

“A condenação do paciente não minimizou os riscos de aplicação da lei penal. Ao contrário disso, a intenção do paciente de buscar emprego em território português e, por óbvio, lá fixar-se em definitivo, reforça a necessidade da cautela”, concluiu o desembargador.

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