Tribunal autoriza mãe a cultivar maconha em casa para tratamento da filha autista de seis anos

Tribunal autoriza mãe a cultivar maconha em casa para tratamento da filha autista de seis anos

Decisão acolhe pedido de habeas corpus da Defensoria Pública de São Paulo; salvo-conduto para fisioterapeuta de Campinas produzir óleo de Cannabis vale por um ano

Marina Dayrell

07 de fevereiro de 2019 | 11h17

Foto: REUTERS/David McNew

O Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou a fisioterapeuta Angela A., mãe de uma menina de seis anos diagnosticada com autismo, a cultivar maconha em sua casa, em Campinas, para produzir óleo de Cannabis, utilizado no tratamento da criança.

O salvo-conduto foi dado por um ano, atendendo a habeas corpus da Defensoria Pública de São Paulo. A decisão é inédita no Tribunal paulista e pode criar jurisprudência, diz a Defensoria.

Em voto vencedor, o desembargador Carlos Bueno citou precedentes judiciais de outros Estados e alegou não ver motivos para negar o pedido.

M.L. foi diagnosticada aos dois anos com transtorno do espectro autista. Em 2017, ela passou a usar óleo de extrato de maconha importado, com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas os trâmites e os altos custos dificultaram a importação.

Relatórios médicos do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPS-IJ), que acompanha o desenvolvimento da menina, e da escola onde estuda, atestaram a melhora no quadro da criança após o início do tratamento e recomendaram a sua continuidade.

Foto: Reprodução/TJSP

Segundo a mãe, antes de começar a usar o óleo de extrato de maconha, a filha apresentava dificuldades para desenvolver a fala e interagir socialmente, irritabilidade, crises de ausência, tremores e espasmos musculares.

“Ela começou a dormir bem e ficar mais tranquila. As crises violentas diminuíram muito. Antes eu colocava capacete nela em casa. Cheguei a perder o último dente molar após uma cabeçada dela”, conta.

Também houve melhoria em concentração, fala e interações sociais. “Antes não sentia fome, frio, dor; depois começou a identificar.”

Angela já havia tido um habeas corpus preventivo negado em 2018.

A Defensoria Pública divulgou manifestação de Angela. “Agora me sinto respeitada como mãe, pois antes me senti ofendida ao ouvir que era imprudente. É a paz de poder chegar em casa e saber que estou agindo corretamente perante a sociedade”, declarou.

Ela ressaltou ‘a satisfação de abrir caminho a outras famílias que precisam do tratamento‘.

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