Três grandes habilidades femininas pós-pandemia

Três grandes habilidades femininas pós-pandemia

Tatiana Sadala*

22 de maio de 2021 | 04h30

Tatiana Sadala. FOTO: P. GASPAR

Com a pandemia muitas tendências na forma de trabalho e estudo foram aceleradas. Essas transformações aconteceram para todos, entretanto, os impactos desnudam certos desequilíbrios sobre a vida profissional de certos grupos, como por exemplo mulheres. Falarei sobre três grandes questões que as mulheres enfrentam, como cobaias de desenvolvimento de grandes habilidades do mundo na pandemia:

1 – Saúde Mental 2.0 e tolerância ao estresse

Exaustão e sobrecarga têm impactado bastante a saúde mental e a saída de mulheres do mercado de trabalho. Um quarto das mulheres passaram a considerar deixar a força de trabalho, segundo pesquisa da Mckinsey em 2020. Um exemplo é a rotina do home office, na maioria das vezes, enquanto homens estão dedicados às agendas corporativas, mulheres assumem o controle, além do trabalho, da rotina da casa, dos filhos, de familiares, alguns em grupos de risco, do almoço, entre milhares de atribuições que acontecem no dia a dia em todos os lares brasileiros. Inevitavelmente, as mulheres que persistirem nas suas carreiras com todo esse contexto, em casa e no trabalho, sairão como experts em habilidades relacionadas a resiliência, tolerância ao estresse e autocontrole, fortalecendo a sua saúde mental.

2 – Liderança em incertezas e adversidades

Com o aumento de visibilidade e pressão por diversidade em posições de liderança, várias empresas começaram a acelerar as promoções de mulheres, seja por mérito e/ou por pressão da agenda ESG. Anteriormente à pandemia falava-se no “teto de vidro”, ilustrando a dificuldade de mulheres alcançarem cargos mais altos, e hoje passou-se a falar de “penhasco de vidro”. O termo se refere às mulheres que sobem na carreira nesse momento, já encontrando um cenário de negócio muito mais desafiador do que o status quo, assim, algumas vezes a queda no penhasco é brutal. Ao mesmo tempo, o contexto traz uma grande oportunidade para mulheres liderarem negócios e terem visibilidade, como líderes durante a pandemia como Jacinda Kate Laurell Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, reconhecida ainda mais como líder mais eficaz durante a crise.

3 – Ansiedade de aprendizagem positiva

Nos últimos 30 anos, 8,5 milhões de mulheres deixaram o mercado de trabalho brasileiro, no terceiro trimestre de 2020, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). A necessidade de acelerar as carreiras dessas mulheres se torna urgente, não apenas para garantir o avanço em equidade de gênero, mas também para impulsionar novas habilidades que elas podem trazer neste novo contexto. Mais que nunca, precisa-se do mix da maturidade dos antigos executivos, com a ansiedade da aprendizagem positiva da nova geração. Tratando especialmente de novas líderes e novos aprendizados, a nova geração de mulheres está chegando com tudo nas primeiras posições de liderança no mercado de trabalho. Se antes da pandemia eram vistas como jovens ansiosas e imediatistas, agora são elas que estão completamente alinhadas à nova velocidade do mundo.

É inegável que a pandemia está sendo infinitamente mais difícil para determinados grupos, como é o caso das mulheres, porém também são elas que sairão exponencialmente mais fortalecidas e preparadas para ter sucesso profissional. Elas precisam ter voz e mais espaço para crescer profissionalmente, e o novo mundo precisa delas.

*Tatiana Sadala é cofundadora do Todas Group, plataforma digital que acelera carreiras femininas

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