Três dicas para perder dinheiro com criptomoedas

Três dicas para perder dinheiro com criptomoedas

Helena Margarido*

16 de fevereiro de 2021 | 06h05

Helena Margarido. FOTO: DIVULGAÇÃO

Existe uma máxima no mercado de capitais que diz que um ano corresponde a sete no mercado de criptomoedas – moedas virtuais que utilizam a criptografia e a tecnologia de blockchain e são negociada pela internet. Sendo assim, estou no mercado há 63 anos-bitcoins (ou 63 bitcoin years). Ao longo desses anos, vi e vivi muita coisa. Antes de começarmos, um aviso: este artigo contém ironia.

Enquanto se verificam novas altas diárias dos criptoativos, fiz um levantamento e cheguei a três dicas sobre como perder dinheiro com criptomoedas. Vamos a elas:

Dica #01:

Meus primeiros anos coincidiram com a época em que muitos ainda acreditavam que bitcoin (BTC) “é moeda de nerd e criminoso”. Motivos para isso não faltavam: toda notícia veiculada pela mídia era, invariavelmente, a respeito de algum esquema criminoso que utilizava a criptomoeda como forma de pagamento.

Coincidência ou não, foi nesse momento que vi a maior quantidade de pessoas perder dinheiro com criptos: com o bitcoin cotado na casa dos US$ 200, nenhum argumento que eu desse era suficiente para desmanchar a péssima imagem que o noticiário em geral conferia a esse tipo de ativo. Então, de todos meus conhecidos, praticamente nenhum comprou BTC à época. Motivo: o medo do desconhecido e excesso de informação desencontrada da realidade.

Portanto, a primeira dica para se perder dinheiro com criptomoedas é: esteja desinformado.

Dica #02:

Outro momento em que vi muita gente perder dinheiro com criptomoedas foi entre 2016 e 2017.

Naquela época, o assunto ganhou mais notoriedade por conta de um esforço imenso em difundir as tecnologias de blockchain (como se elas existissem totalmente apartadas das criptomoedas, e não são). Logo, havia muita gente que acreditava que “blockchain é bom e bitcoin é mau”, na mais completa desinformação sobre o assunto.

Foi também nesta época em que foi criado um processo que permitia a qualquer um emitir criptomoedas próprias, utilizando o protocolo Ethereum – um processo que ficou conhecido como emissão inicial de moedas, as Initial Coin Offers (ICOs, em alusão aos tradicionais IPOs realizados em bolsas de valores).

Por conta disso, foi um período marcado por incontáveis projetos se auto proclamando de “o novo Bitcoin”, desde iniciativas cripto – até bacanas -, a golpes escrachados e outras porcarias que não tinham o menor sentido, nem como criptomoeda, nem como modelo de negócio.

Mas com o Bitcoin batendo novas altas, dia após dia, muita gente movida pela mais pura e destilada ganância buscou nessas alternativas a possibilidade de ter altos retornos. Infelizmente, a maior parte dessas iniciativas não vingou e muita gente perdeu dinheiro.

Logo, minha dica número 2 é: desinformação somada à ganância desmedida dará um resultado desastroso.

Dica #03:

Por mais que o ativo seja bom e o mercado esteja em alta, a falta de timing pode fazer você perder dinheiro com criptoativos.

Para explicar essa questão, vale a pena lembrar a teoria das cinco ondas de Elliot aplicada ao mercado. Segundo ela, todo movimento possui cinco ondas: três de impulso e duas de correção, sendo essas ondas alternadas. Ou seja, um movimento de alta de determinado ativo tem a onda 1; de alta, uma onda 2, de correção, onda 3, novamente de alta, superando a máxima anterior, uma onda 4 de correção e a onda 5, que é quando o ativo alcança o preço máximo daquele movimento maior.

Aplicado ao criptomercado, isso se traduz da seguinte forma:

  • Em março de 2017, a mídia divulga a nova máxima histórica do Bitcoin, na casa dos US$ 1.300 e a pessoa pensa: que pena, tarde demais pra comprar (onda 1);
  • Na sequência, o preço cai 30% e ela pensa: “ufa, ainda bem que não comprei” (onda 02);
  • Alguns meses depois, em agosto de 2017, o preço chega aos US$ 5.000 e vira manchete de todos jornais (onda 3);
  • A mesma pessoa pensa: “poxa, deveria ter comprado, mas agora é tarde demais…”;
  • Na sequência, o preço corrige (cai) cerca de 30% novamente (onda 4) e ela fica aliviada por não ter comprado o ativo;
  • Por fim, em dezembro de 2017, o preço chega a quase US$ 20 mil (onda 5). A pessoa, indignada pois deixou de ganhar quase vinte vezes, se enche de coragem. Pensa: “agora, não vou deixar passar!”. E compra o ativo no topo no movimento de alta.

Esse é um caso real e vi muita gente até vender carro e casa pra comprar bitcoins na máxima histórica de 2017 – e amargaram uma longa e dolorosa correção do ativo na sequência.

Portanto, a dica número 3 é: errar o timing várias vezes e ser corajoso quando decidir acertar. Você só tem a perder com isso.

Erros à parte, o que todos buscamos é ter lucro. E 2021 é o ano das criptomoedas. Como disse, informação e timing são extremamente importantes. E a hora é agora.

*Helena Margarido é advogada, empresária e especialista em criptomoedas da Inversa

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