Tratamentos biológicos inovadores para asma grave agora com acesso gratuito

Tratamentos biológicos inovadores para asma grave agora com acesso gratuito

Rafael Faraco*

30 de maio de 2021 | 04h30

Rafael Faraco. FOTO: DIVULGAÇÃO

Os brasileiros diagnosticados com Asma Grave têm motivos para comemorar a ampliação do acesso a terapias inovadoras de controle desta doença crônica. A partir de 1 de abril de 2021, os tratamentos imunobiológicos para Asma Grave passaram a ter cobertura obrigatória dos planos de saúde, o que significa que para os pacientes que cumprirem os critérios de utilização do tratamento, estes medicamentos serão gratuitos.

Além disso, um novo tratamento imunobiológico avaliado pela CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS) teve recomendação favorável à incorporação no SUS, ou seja, em breve, mais opções estarão disponíveis de forma gratuita também na rede pública de saúde a todos os brasileiros .3,4

Outra conquista recente é a priorização dos pacientes com Asma Grave na vacinação contra a Covid-19 – iniciativa que serve também como alerta para quem subestima ou desconhece essa doença que, se não tratada adequadamente, não compromete apenas a saúde e a qualidade de vida do paciente, como pode levar a óbito.1,2,5 Também  é importante lembrar que a vacinação anual contra influenza nos pacientes com asma moderada a grave de qualquer faixa etária, é medida importante para redução de crises  da doença, especialmente em um cenário sobrecarregado dos serviços de saúde em razão       do aumento no número de casos de Covid-19.6,7

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2019, 262 milhões de pessoas no mundo viviam com Asma, sendo que de 5% a 10% desses pacientes têm Asma do tipo Grave.8,9 No total, ocorreram mais de 46 mil mortes relacionadas à doença globalmente.9,10 No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas convivem com diferentes formas desta doença respiratória, inflamatória e de origem alérgica.9 A Asma é a terceira  ou quarta causa de hospitalizações pelo SUS, conforme o grupo etário, tendo em média internações anualmente.10 Uma das principais medidas para o controle da Asma é o tratamento adequado de acordo com a gravidade da doença e a adesão do paciente ao tratamento.11

Existem diferentes tipos de Asma e tratamentos.12,13 Os pacientes com a Asma Grave têm maior número de exarcebações, crises que os fazem procurar a emergência frequentemente, e envolve ainda internações hospitalares com regularidade, chegando a precisar de cuidados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).11,12,13

Os imunobiológicos mudaram o manejo de várias doenças autoimunes, caso da Asma Grave.1,2 De última geração, esses medicamentos biológicos são indicados para tratar os casos da doença que não respondem ao tratamento convencional.11 Com esse tipo  de terapia mais acessível, o tratamento torna-se mais preciso e personalizado, levando em conta as necessidades de cada paciente.

Indicado, em geral, como tratamento complementar de manutenção da Asma Grave, em pacientes adultos, adolescentes e crianças a partir dos 6 anos de idade, os imunobiológicos reduzem as internações hospitalares e as visitas aos prontos-socorros, causadas pelos episódios de crises.2,12,13.14,15

*Rafael Faraco é médico pneumologista

Referências:

  1. ANTONICELLI, , et al. Asthma severity and medical resource utilization. European Respiratory Journal 23- 34: 723-729, 2004.
  2. CHUNG, KF. et al.International ERS/ATS guidelines on definition, evaluation and treatment of severe asthma. Eur Respir J; 43(2):343-73, 2014
  3. Resolução      Normativa      –      RN      465,      de      24      de      fevereiro      de                         2021.               Disponível em:

http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&format=raw&id=NDAzMw>. Acesso em: maio de 2021.

  1. COMISSÃO NACIONAL DE INCORPORAÇÃO DE TECNOLOGIAS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE .97ª Reunião         da Conitec.                                  Disponível                   em:http://conitec.gov.br/images/Reuniao_Conitec/2021/20210505_Pauta_97_PosReuniao.pdf>. Acesso em: 11 maio
  2. Ministério da Saúde. Plano Nacional de Vacinação Covid-19, 23 de março de 2021. Disponível em:

www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/marco/23/plano-nacional-de-vacinacao-covid-19-de-2021>. Acesso em maio de 2021.

  1. ESTADÃO. Disponível em: https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,pandemia-pressiona-sus-e-rede- privada-hospitais-tem-ate-13-dos-leitos-so-com-pacientes-de-covid,70003257283. Acesso em: maio de 2021
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Campanha da Vacina da Disponível em: https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/vacinacaogripe/>. Acesso em: maio de 2021.
  3. Jornal O Estado de São Paulo. Disponível em: https://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,diagnostico- de-asma-grave-demora-em-media-4-anos-indica-pesquisa,70003301764. Acesso em: maio de 2021
  4. Word Health Organization. Global Initiative For Asthma (GINA). Pocket Guide For Asthma Management and Disponível em: . Acesso em: maio de 2021.
  5. World Health Organization. Global burden of 369 diseases and injuries in 204 countries and territories, 1990- 2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. 2020;396(10258):1204-22
  6. SOCIEDADE        BRASILEIRA        DE        PNEUMOLOGIA         E                                TISIOLOGIA.         Disponível                                 em:

https://sbpt.org.br/portal/espaco-saude-respiratoria- asma/#:~:text=Estima%2Dse%20que%20no%20Brasil,em%20m%C3%A9dia%2C%20350.000%20interna% C3%A7%C3%B5es%20anualmente. Acesso em: maio de 2021.

  1. AMERICAN LUNG ASSOCIATION. Disponível em: https://lung.org/lung-health-diseases/lung-disease- lookup/asthma/learn-about-asthma/severe-asthma>. Acesso em: maio de 2021.
  2. BRITISH      SOCIETY      OF      IMMUNOLOGY.      Disponível      em: https://immunology.org/public- information/bitesized-immunology/immune-dysfunction/autoimmunity-introduction>. Acesso em: maio de 2021.
  3. KHURANA, et al. Long term safety and clinical benefit of mepolizumab in patients with the most severe eosinophilic asthma: the COSMEX study. Clini Ther, 41: 2041-56, 2019.
  4. TAILLÉ, C et al. Mepolizumab in a population with severe eosinophilic asthma and corticosteroid dependence: results from a French early access Eur Respir J, 55(6): 1902345, 2020.
  5. BAGNASCO D, et Pulmonary pharmacology & therapeutics 58 (2019): 101836
  6. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Nota técnica nº 3/2021/GEAS/GGRAS/DIRAD- DIPRO/DIPRO. Disponível em: Acesso em: 17 maio

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