Transformação social por meio do empreendedorismo feminino

Transformação social por meio do empreendedorismo feminino

Cátia Horsts*

18 de novembro de 2021 | 09h00

Cátia Horsts. FOTO: DIVULGAÇÃO

O empreendedorismo feminino é transformador. A frase pode parecer óbvia, mas não é quando se trata da complexidade e dos desafios da equidade de gênero em um mercado de trabalho que ainda perpetua a face cruel de uma sociedade patriarcal. Empreender para uma mulher no Brasil é avalanche social.

Além de contribuir para o desenvolvimento da economia e para a geração de empregos e renda, ao conquistar sua independência financeira, mulheres empreendedoras rompem anos de relacionamentos abusivos e violentos.

Pesquisa anual do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME) mostrou que 34% das mulheres entrevistadas pela pesquisa tinham sofrido alguma agressão em seus relacionamentos. O empreendedorismo foi a chance que 48% delas encontraram para sair dessas relações abusivas, tornando-se mais confiantes e independentes quando capazes de ganhar seu próprio dinheiro.

É até difícil de acreditar que em pleno século XXI a renda seja um empecilho para muitas mulheres vencerem relações abusivas, e que impacte na forma como estas são tratadas dentro do núcleo familiar. Mas é a triste realidade do Brasil. Um fato escancarado em números durante a pandemia de covid-19: 47% das mulheres que sofreram violência também ficaram desempregadas durante a crise sanitária, segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em maio de 2021.

Nesse cenário, conquistar a independência financeira é consequentemente livrar-se do agressor. É potência e fonte de inspiração para outras mulheres. Uma empresária de pequenos negócios também tem essa missão, de abrir o caminho para tantas outras. De ajudar a romper os desafios impostos diariamente, como o preconceito, a dupla jornada de trabalho, a diferença de oportunidades, a violência de gênero e a desconfiança de uma sociedade que insiste na invisibilidade feminina.

Temos ainda uma longa jornada pela frente como empreendedoras, mas é reconfortante saber que já somos mais de 9,3 milhões de mulheres à frente dos negócios no Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada pelo IBGE.

São mulheres que lideram equipes, investem e inovam em modelos de negócios. Muitas delas criam métodos e processos de liderança para fomentar o protagonismo feminino dentro de organizações e garantir condições para que outras mulheres desenvolvam suas habilidades profissionais com segurança.

Acreditar que é possível é a premissa de todo empreendedor. Mas quando se trata de nós, mulheres, repetir esse mantra diariamente faz parte do caminho diário para o sucesso e a longevidade do negócio.

Neste 19 de novembro, Dia do Empreendedorismo Feminino, celebre essa confiança no possível. A possibilidade de ter o seu negócio depende de você, e a rede formada por cada uma dessas mulheres empreendedoras torna a caminhada menos solitária e muito mais leve.

*Cátia Horsts, CEO e fundadora da Rhopen Consultoria

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