Transformação digital vai muito além das novas tecnologias, como a pandemia faz parecer

Transformação digital vai muito além das novas tecnologias, como a pandemia faz parecer

Pedro Donati*

15 de janeiro de 2021 | 04h00

Pedro Donati. FOTO: DIVULGAÇÃO

O assunto transformação digital não é novo e vem ganhando força ao longo dos anos. Mas a pandemia acelerou esse processo e o tema virou prioridade dentro das empresas. O que estamos vendo é uma verdadeira corrida pela digitalização dos negócios, principalmente, por conta dos desafios trazidos pela Covid-19.

De modo geral, o ano foi marcado pela quebra de paradigmas e pela transformação contínua da sociedade das relações entre as pessoas. Com isso, empresas de todos os segmentos tiveram de buscar rapidamente respostas para perguntas decorrentes dessa nova realidade: como atravessar esse cenário de incertezas impostas pelo isolamento social da melhor forma possível para a saúde do meu negócio? Como oferecer boas condições de trabalho para meus funcionários em jornadas de trabalho remotas para não perder produtividade? Como continuar vendendo e fidelizando os clientes para atingir os objetivos e metas pré-definidos?

A pandemia trouxe mudanças importantes no comportamento dos clientes e como eles se relacionam com as empresas e marcas, uma vez que buscam valores mais alinhados com a sociedade e vínculos mais humanizados. E é nesse momento em que podemos enxergar a transformação digital como principal motor de inovação. Por isso vemos diversas pesquisas de mercado que mostram que 2020 houve uma aceleração da transformação digital nas empresas. Mas o que isso significa? E será que as empresas estão aproveitando todo esse potencial?

A transformação digital pode ser definida como a incorporação de tecnologias para otimizar processos, mudança na cultura empresarial e adoção de novos modelos de negócios. O objetivo não é apenas gerar melhores resultados, mas garantir a perenidade da empresa, preparando-a para enfrentar os desafios atuais e futuros de um mundo em transformação. Esse processo impacta diretamente na competitividade e, consequentemente, na receita e valuation das empresas.

Mas as necessidades impostas pela pandemia podem gerar uma falsa percepção do que é a transformação digital. Não se trata apenas de implementar sistemas de videoconferência ou de criar plataformas online de e-commerce ou de vendas B2B. Essas iniciativas respondem a demandas urgentes, mas não são suficientes para inserir a companhia em um contexto de transformação digital.

É importante, sim, digitalizar e ganhar eficiência com os processos digitais, passar a trabalhar com fornecedores mais inovadores – como as startups – etc. Entretanto, não se deve parar por aí.

Além de utilizar os recursos tecnológicos como um elemento central e estratégico, que simplifique os fluxos de trabalho e envolva todas as pessoas em uma atuação verdadeiramente colaborativa, é necessário mexer no “como” acontece o processo de tomada de decisão das empresas.

É necessário identificar em quais áreas é possível ter times multidisciplinares, trabalhando como se fossem pequenas unidades de negócios (startups internas), com liderança clara e reportando para os executivos, que nesse momento passam a ser os “investidores” internos. Uma vez que você dá poder de decisão para os times que estão na ponta – área de atendimento ao cliente, por exemplo -, é possível ganhar eficiência de verdade.

Para inovar efetivamente o negócio é preciso ainda repensar como o mercado percebe a cadeia de valor na qual a companhia está inserida e, dessa forma, antever e, até mesmo, realizar mudanças com o objetivo de ganhar competitividade e inovar seu modelo de negócios.

Mas como ultrapassar os obstáculos para trazer essa inovação para a empresa?

Para que haja ganhos reais, é preciso ir além e criar uma verdadeira cultura de inovação, funcionando como uma engrenagem capaz de modificar processos, o modelo de negócio e, até mesmo, atuação da empresa no mercado.

A peça central para que isso acontece é uma liderança engajada que fomente essa prática internamente. O suporte desses líderes é essencial para que a empresa crie processos claros de inovação, compartilhe informações sobre oportunidades de mercado e capacite seus profissionais a defenderem suas teses e ideias.

Iniciar esse processo não é fácil e exige uma alta tolerância a erros. Somente assim será possível desatar obstáculos iniciais e estimular uma verdadeira cultura de inovação em todas as áreas da empresa.

Em resumo, a transformação digital é uma combinação da digitalização da empresa – que se reverte em ganho de eficiência operacional –, com a mudança estrutural da operação – processos de decisão, gestão etc. – para poder alcançar a inovação do negócio e potencializar os valores e resultados da empresa.

*Pedro Donati, diretor executivo de tecnologia da Falconi

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