Transformação digital: uma mudança de cultura

Transformação digital: uma mudança de cultura

Jorge Krug*

25 de maio de 2021 | 05h00

Jorge Krug. FOTO: DIVULGAÇÃO

A transformação digital é um tema que está propagado, não apenas entre as instituições financeiras, mas em todos os setores produtivos. O que se viu no último ano foi uma aceleração desse processo, impulsionada pelo momento econômico e sanitário. O novo jeito de atender — com regras de distanciamento social — modificou as necessidades do mercado. Mexeu com as prioridades do cidadão e a forma como os bancos se relacionam com seus clientes. Não é exagero constatar que o desenvolvimento de poucos meses equivale a dez anos.

Por trás de alterações de consumo sempre há uma mudança cultural. O grande desafio enfrentado pelas instituições bancárias neste período foi aprimorar constantemente suas equipes e sistemas. O nível de exigência é alto. A acolhida digital deve ter qualidade semelhante ou superior ao “olho no olho”. O crescimento do número de transações diárias, em aplicativos e sites, revela a aceitação do público em relação a esse novo formato. Cabe aos bancos acompanhar o ritmo instantâneo e apresentar soluções inovadoras, funcionais e criativas, conectadas com as particularidades do momento.

Gerir finanças na palma da mão é um caminho sem volta, mas que envolve uma adesão gradativa. Os clientes também tiveram que se adaptar. Por isso, investe-se cada vez mais em canais de fácil navegação, sempre com a máxima segurança de dados. Conduzir esse processo requer alto grau de confiabilidade. Novas ferramentas, especialmente as que se relacionam com dinheiro, precisam agregar valor ao cotidiano das pessoas antes de serem consideradas populares. O Pix, recém-implantado no país, é um desses exemplos. Criado para substituir DOC e TED, acabou por conquistar outra fatia do mercado e segue em evolução.

Aqueles que souberem aliar conhecimento técnico, visão de mercado e relacionamento institucional alcançarão melhores resultados. A sintonia entre o que o cidadão deseja e o que o banco pode oferecer digitalmente deve permanecer afinada. Hoje, a vida das pessoas está no celular: a família, o trabalho, o entretenimento — e também as finanças. Para o cliente, o aplicativo no telefone é um parceiro de negócios disponível 24 horas, que ajuda a olhar para frente e permite trilhar novos caminhos. É a porta para a aquisição de um bem, para a abertura de um empreendimento ou para custear investimentos em educação. Quanto mais serviços estiverem disponíveis em formato digital, melhor será o aproveitamento dessas possibilidades.

Exatamente por isso, é preciso compreender que quem dita o ritmo da transformação é a necessidade. As principais ferramentas digitais surgiram a partir de problemas que precisavam ser resolvidos em tempo recorde. Inovar significa apresentar maneiras diferentes e aperfeiçoadas de suprir demandas. Em fases atípicas da economia, um banco não pode ser visto apenas como uma instituição financeira, mas como um ente que estimula, incentiva e apoia, integrado a um hub que pensa soluções com impactos reais na vida da sociedade. O espírito inovador guia as decisões e a transformação digital é, também, cultural.

*Jorge Krug, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação do Banrisul

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