Transformação digital de empresas pode acelerar resultados em ESG

Transformação digital de empresas pode acelerar resultados em ESG

Getúlio Santos e Renato Haidamous*

12 de agosto de 2021 | 17h40

A diminuição da circulação e contato físico imposta pela pandemia acelerou o tímido processo de digitalização das pequenas e médias empresas, o que em alguns casos permitiu às empresas deste porte um início de escalada dentro da agenda ESG.

Getúlio Santos e Renato Haidamous. Foto: Divulgação.

Para aqueles menos familiarizados com o noticiário corporativo ESG é a sigla em inglês para environmental, social and governance (ambiental, social e governança, na tradução), usada para medir as práticas destes termos de uma empresa, pautas que até pouco tempo ainda não eram relevantes dentro dos pequenos negócios.

Na busca pela sobrevivência, as empresas que passaram a atuar de forma online, ou no formato híbrido, acabaram se beneficiando, pois, sem a necessidade de um lugar físico para acomodar a equipe, economizaram com despesas imobiliárias e transporte, propiciando uma sensação maior de pertencimento aos funcionários das empresas ao mesmo que tempo melhoraram seus resultados financeiros e indicadores de ESG.

A pandemia de Covid-19 e o home office, de certa forma, fizeram com que o crescimento de startups que oferecem serviços virtuais aumentasse. Segundo o índice de Transformação Digital da Dell Technologies divulgado em 2020, 87,7% das empresas instaladas no Brasil realizaram iniciativas de transformação digital, ficando acima da média mundial que é de 80%. Serviços de gestão de equipes e automatização de processos se destacaram no mercado, assim como sistemas de assinatura de documentos virtuais, que se tornaram o primeiro passo para que empresas se tornassem mais digitais, acelerando o processo como um todo.

Segundo divulgação da SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de março deste ano, sete em cada dez empresas brasileiras mantêm seu negócio apenas pela internet. Este dado nos mostra o atual cenário que o empreendedorismo brasileiro se encontra e a urgência em digitalização de empresas que ainda não se adaptaram a essa nova realidade dos negócios, seja ele integralmente ou apenas parcial, que poderão acarretar benefícios de curto a longo prazo.

Os pequenos e médios negócios, na grande maioria dos casos, relutam na adoção de medidas que buscam criar uma melhora da sua imagem corporativa, pois estão preocupados com a sua sobrevivência, não sendo possível priorizar temas considerados secundários nas suas decisões estratégicas.

Contudo, com a pandemia, e a adoção forçada de novos processos, ainda que timidamente e sem pretensão, diversos negócios, principalmente ligados ao setor de serviços, passaram a adotar ferramentas tecnológicas como forma de se manterem no mercado que como resultado secundário, acabam melhorando os indicadores de ESG.

A adoção do modelo do trabalho remoto, permitiu de forma indireta a diminuição da emissão de C02 em face redução no deslocamentos nos grandes centros urbanos além da adoção de coleta de assinaturas eletrônicas em formato digital, permitindo ganhos do ponto de vista da sustentabilidade às empresas que o adotaram.

Além disso, há também destaque na letra S (social) da sigla, a qual destaca o acesso aos serviços mais rápido e prático, auxiliando também na gestão de equipes, pois funcionários poderão fazer muito mais em menos tempo, aumentando o rendimento do trabalho, tal como ficar menos sobrecarregados, fator muito importante para questões sociais da agenda.

O trabalho remoto ainda diminui a necessidade de residência nas grandes cidades como fator fundamental na contratação de colaboradores, sendo plenamente possível a execução de tarefas de qualquer lugar do Brasil, possibilitando ainda que a aplicação de candidatos que antes eram excluídos dos processos seletivos devido a distância geográfica da empresa.

Em contrapartida, apesar de beneficiar as empresas por diversos fatores, já antes mencionados, não é simples gerir um negócio totalmente online, é necessário vontade e iniciativa dos gestores na adoção ou reformulação da sua cultura para um modelo online, onde a confiança na delegação das tarefas é fundamental.

Quando falamos em organizar equipes virtuais também precisamos pensar com relação aos auxílios oferecidos aos funcionários e o suporte. Talvez esta seja uma das principais dificuldades para empresas de grande porte com relação à governança social para que não traga novos problemas, principalmente com relação ao trabalho remoto. Necessita-se criar mecanismos para a transposição da cultura organizacional do físico para o online.

Desta forma, algumas questões burocráticas podem postergar a digitalização da empresa, como por exemplo a falta de disponibilização – pelas empresas – das ferramentas tecnológicas necessárias para uma perfeita execução das tarefas no modelo digital; questões relativas à implementação de uma cultura de proteção de dados (LGPD), uma vez que estes passaram a ser acessados fora dos ambientes controlados das empresas e assim por diante. Entretanto, iniciar os processos já eleva, mesmo que aos poucos, a transição do físico para o digital.

Assim, fica claro o papel de serviços online na aceleração da transformação digital de empresas, mostrando também a necessidade de adaptação dos negócios conforme as demandas e expectativas do mercado, sendo elas com relação à saúde, ao meio ambiente ou às estratégias de expansão empresarial. Também fica evidente a quantidade de benefícios que empresas sem sede possuem, principalmente no âmbito econômico. Apesar de ser um crescimento decorrente da pandemia, este é um cenário que veio para ficar, e empreendedores deverão continuar apostando em negócios digitais.

*Getúlio Santos e Renato Haidamous, advogados e sócios-fundadores da ZapSign

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