Delegado que investiga gabinete paralelo será transferido de setor; PF diz que ele continua no inquérito

Delegado que investiga gabinete paralelo será transferido de setor; PF diz que ele continua no inquérito

Bruno Calandrini vai assumir unidade de investigação de crimes cibernéticos; Polícia Federal afirma que movimentação atende a pedido feito pelo delegado em maio

Rayssa Motta

28 de junho de 2022 | 19h07

Delegado da PF Bruno Calandrini vai deixar setor que investiga autoridades com foro para assumir unidade que apura crimes cibernéticos. Foto: Reprodução

O delegado federal Bruno Calandrini, responsável pela investigação do gabinete paralelo de pastores instalado no Ministério da Educação (MEC), será transferido de setor. A movimentação está prevista para julho.

A Polícia Federal (PF) afirma que a transferência foi formalizada a pedido do próprio delegado.

Calandrini vai deixar a Coordenação de Inquéritos de Tribunais Superiores, que cuida das investigações de autoridades com foro junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), para assumir a Unidade Especial de Investigação de Crimes Cibernéticos.

Em nota, a PF afirmou ainda que ele vai continuar coordenando a investigação do gabinete paralelo, que levou o ex-ministro Milton Ribeiro à prisão na Operação Acesso Pago.

“O próprio servidor manifestou interesse (ainda no mês de maio) em ser movimentado para a nova unidade, para onde irá apenas no mês de julho, permanecendo na presidência da Op. Acesso Pago (IPL do MEC) e outros inquéritos”, diz o comunicado.

Após a Operação Acesso Pago, Calandrini disse que não tem “autonomia investigativa e administrativa” para conduzir o inquérito com “independência e segurança institucional”. Em mensagem enviada a colegas, ele afirmou que a investigação foi “prejudicada” pelo “tratamento diferenciado concedido pela PF” em São Paulo a Milton Ribeiro. O ex-ministro foi preso preventivamente em Santos, no litoral paulista, e deveria ter sido levado para ser interrogado em Brasília, mas a superintendência da Polícia Federal em São Paulo alegou questões logísticas e não fez a transferência. Ribeiro acabou recebendo habeas corpus do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) e foi solto antes de ser ouvido pelo delegado.

Calandrini também disse acreditar que houve vazamento do inquérito que atinge o ex-ministro. Para o delegado, conversas interceptadas “evidenciam” que Milton Ribeiro “estava ciente” de que seria alvo de buscas.

Leia a íntegra da nota da Polícia Federal:

Após tratativas iniciadas ainda no mês de maio do corrente ano, no dia 15/6/2022 houve a movimentação formal do DPF Calandrini para a DRCC/CGFAZ/DICOR/PF, onde irá coordenar a  Unidade Especial de Investigação de Crimes Cibernéticos – UEICC presidindo trabalhos investigativos sensíveis daquela unidade.

O próprio servidor manifestou interesse (ainda no mês de maio) em ser movimentado para a nova unidade, para onde irá apenas no mês de julho, permanecendo na presidência da Op. Acesso Pago (IPL do MEC) e outros inquéritos da CINQ/CGRCR/DICOR/PF.

Concomitantemente, foi procedida a movimentação de outro DPF para repor a saída do DPF Bruno Calandrini da CINQ.

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