Traficantes via WhatsApp presos pela PF são jovens de classe média alta

Traficantes via WhatsApp presos pela PF são jovens de classe média alta

Nove alvos da Operação Dealer, deflagrada nesta terça-feira, 12, foram capturados, um está foragido

Julia Affonso

12 de fevereiro de 2019 | 13h22

Foto: Polícia Federal

Nove traficantes que vendiam maconha, ecstasy e LSD pelo WhatsApp foram presos pela Polícia Federal na Operação Dealer, deflagrada nesta terça-feira, 12. Um alvo está foragido.

“Jovens entre 20 e 30 anos, classe média alta”, afirmou o delegado da PF Valdemar Latance Neto, sobre o perfil dos presos.

A Operação Dealer fez buscas nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Sergipe e Minas. Todos os mandados foram expedidos, a pedido da PF, pela 4.ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Foto: Polícia Federal

A investigação aponta que a venda das drogas era feita em um grupo de conversa no aplicativo, que reunia vendedores e compradores. O número de integrantes do grupo variava, segundo a PF, mas chegou a ter 200 pessoas.

“A investigação se concentrou em identificar aquelas pessoas que efetivamente estavam vendendo drogas”, declarou o delegado.

Segundo Latance, as ações eram ‘coordenadas’ e o pagamento era feito por meio de transferência bancária. Os investigados serão indiciados pela prática de crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas, com penas de 3 a 15 anos de prisão e multa.

“No curso da investigação, um agente encoberto conseguiu adentrar esse grupo e, com autorização judicial, comprou drogas de um dos investigados. Ficou muito clara a coordenação entre eles, porque quem nos encaminhou a droga foi um outro investigado. A partir desse momento, nós percebemos que eles não agiam ali como lobos solitários, isoladamente. Eles agiam de maneira conjunta e coordenada”, relatou o delegado.

“Eles faziam entrega de formas variadas, tanto pela via postal quanto entregas combinadas pessoalmente.”

O delegado narrou que ‘a venda de drogas era contínua e tinha relação grande com festas’. “Essas drogas são muito utilizadas em festas.”

Após a deflagração da Dealer nesta terça, a investigação vai mirar na identificação do patrimônio dos traficantes e também em ‘quem financiava essa droga e na procedência da droga’.

A PF apreendeu cartões e documentos que, na avaliação dos investigadores, vão permitir ‘o rastreio de quem seria o financiador ou se eles mesmos faziam esse trabalho’.

“O agente encoberto negociou com um investigado baseado em Santa Catarina. A droga foi encaminhada do interior de São Paulo. O pagamento foi feito no nome falso utilizado por um dos investigados do interior de São Paulo. Isso mostra a coordenação entre eles. Eles faziam esse arranjo logístico para entrega da droga, combinando entre si”, afirmou Valdemar Latance Neto.

De acordo com o delegado da PF, ‘há indícios de que eles pegavam essa droga na Europa’. Foi vista atividade em redes sociais (de um dos presos) oferecendo viagens gratuitas à Europa a trabalho. Suspeita-se que essas viagens eram feitas para as pessoas irem lá buscar a droga para ele.”

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