Traficantes do México pagavam US$ 5 mi por voo

De acordo com a Polícia Federal, os dólares eram entregues no México aos brasileiros; os empresários repassavam as quantias a um doleiro identificado pelos federais que operava o sistema dólar-cabo

Redação

04 de junho de 2015 | 04h30

Por Marcelo Godoy e Fausto Macedo

A organização brasileira de transporte internacional de cocaína recebia cerca de US$ 5 milhões por voo – os pilotos, dos quais 13 foram identificados, ficavam com US$ 500 mil. Tudo era pago pelos dois maiores cartéis mexicanos da droga: Sinaloa e Los Zetas. Os agentes federais que atuaram na Operação Dona Barbara reconstituíram o caminho do dinheiro.

De acordo com a Polícia Federal, os dólares eram entregues no México aos brasileiros. Os empresários repassavam as quantias a um doleiro identificado pelos federais que operava o sistema dólar-cabo – o depósito do no exterior serve de garantia ao pagamento no Brasil.

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O doleiro transferia os recurso para uma conta-corrente em Hong Kong, na China. De lá, o dinheiro seria movimentado para a Colômbia e o Brasil – muitas das movimentações eram feitas por meio de contas-correntes em Tabatinga (AM). Para fugir da vigilância das autoridades financeiras, o doleiro fazia dezenas de micro-operações, pulverizando o dinheiro em contas bancárias. Pelo serviço, recebia 15% de comissão.

Diplomata. Para confirmar os pagamentos, o doleiro enviava cópias de comprovantes de depósitos bancários para os empresários. Em um deles, supostamente feito pelo colombiano Marco Tulio Blanco Chacon a pedido do fazendeiro Paulo Flores, apontado como líder da organização, R$ 70 mil são depositados em uma agência de Tabatinga na conta bancária de em embaixador. Flores escreve na mensagem que serão feitos quatro pagamentos – R$ 220 mil ao todo. A PF quer saber agora as razões desse pagamentos.

Além de fotos de comprovantes bancários e de pilhas de dólares, o grupo passava pelo celular imagens de aviões comprados e de pistas de pouso com as coordenadas geográficas. Os acusados se identificavam nas conversas usando nomes de repórteres policiais.

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