Trabalho virtual x economia real: os avanços em tempos de pandemia

Trabalho virtual x economia real: os avanços em tempos de pandemia

Fabio Schettino*

04 de abril de 2020 | 05h00

Fabio Schettino. FOTO: DIVULGAÇÃO

Com o aumento de casos confirmados do novo coronavírus (covid-19), muitas empresas têm liberado ou mesmo exigido que seus funcionários trabalhem remotamente, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde de evitar aglomerações para diminuir as chances de contágio.

Com o histórico do avanço da pandemia na China, as empresas ocidentais estão atentas às medidas de prevenção e contenção do vírus, para resguardar a saúde de seus colaboradores, familiares e de seu negócio. Enquanto isso, por determinação governamental, serviços públicos e atividades essenciais consideradas indispensáveis ao atendimento das necessidades da população foram impedidas de cessar suas atividades; tais como a saúde, segurança pública, supermercados, imprensa, entre outros.

Neste cenário, mesmo as empresas da economia real, aquelas que participam diretamente no desenvolvimento social e regional por meio de seus negócios, estão tendo que se adaptar. Contudo, se a adaptação não for bem executada, o impacto pode ser sentido quase que simultaneamente pela população brasileira por meio dos indicadores de desemprego, nível de atividade econômica (PIB) e desabastecimento. Na medida do possível e sempre visando resguardar a saúde dos colaboradores, é importante também focar no core business de seu negócio e garantir a sobrevivência de sua operação e de seus stakeholders. As empresas que fortalecerem o sentimento de pertencimento o e senso de propósito ganharão no engajamento e na produtividade de seus funcionários.

Mas, de fato, o que muda com o home office? Ao alterar a dinâmica de trabalho das equipes para home office, a empresa precisa garantir  o acesso aos arquivos de qualquer local, a manutenção de todas as atividades de suporte às operações, a interação dos funcionários, a disponibilização de plataforma estável de videoconferência e o contínuo abastecimento dos CRMs. Tudo isso, é claro, garantindo a total segurança das informações, mesmo de forma remota. Além dos desafios tecnológicos listados, existem outros relacionados à manutenção da cultura empresarial e à adaptação ao aumento no nível de inovação.

O mercado não está mais preso a um único local. É vital a necessidade de basear o seu modelo de negócio na nuvem, mas não só para momentos de crise. A dinâmica operacional dos dias atuais dificulta a operacionalização dos mercados outrora tidos como tradicionais, pois exige movimentos rápidos e ajustáveis à volatilidade do mercado, da sociedade e da informação. Diversos executivos estão tendo que repensar seus modelos de gestão, focados agora em um plano mais ativo e eficaz de continuidade dos negócios, que não envolva o acesso físico aos escritórios formais das empresas.

É necessário que as companhias adotem uma gestão de equipes horizontal e baseado em tarefas, ao redirecionar estrategicamente seus colaboradores em tempos de eventos de grandes incertezas. A diminuição da intervenção humana em tarefas rotineiras, deixando o time livre para pensar de forma criativa, garante o foco no core business.

A adoção prévia de ferramentas online e na nuvem permite que o impacto na operação da empresa possa ser mínimo, caso os executivos adotem uma postura inovadora de fazer e manter seus negócios. Ao utilizar ferramentas disponíveis no mercado como o BlueJeans, Workplace, SAP , entre outros, muitas empresas estão conseguindo garantir, durante o período de quarentena induzido aos trabalhadores, a continuidade de suas atividades rotineiras. Sendo assim, a tecnologia se mostra eficaz no gerenciamento de tarefas, ao fornecer ferramentas que, de forma remota e precisa, conseguem garantir a manutenção da produtividade de inúmeras empresas e de manter o compromisso com seus parceiros e clientes da economia real.

*Fabio Schettino, presidente da Hidrovias do Brasil

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